Quando Manuel Luís Goucha, durante a entrevista, pergunta a Rita Salema como se lida com a perda dos irmãos, a atriz desaba imediatamente em lágrimas: “Ai Manel! Eu acho que não há palavras", desabafou, visivelmente comovida.
Manuel Luís Goucha, com sua habitual sensibilidade, tentou pôr-se no lugar da atriz e perguntou: «É morrer um pouco com cada perda?», Rita confirma. Contudo, a atriz esclarece onde "Eu tenho o privilégio de ser católica, eu tenho o privilégio de acreditar em Deus."
A atriz compartilhou também alguns momentos difíceis, com sentimentos de raiva após a perda dos irmãos e do pai: «Zanguei-me, muito. Zanguei-me, gritei e, entretanto, tive uma resposta maravilhosa. Parecia que era altíssimo, parecia que ele também se estava a zangar comigo” – conta a atriz, referindo-se a Deus.
Rita Salema assume que, o que a tranquiliza, são os recados e mensagens constantes que diz ouvir dos seus familiares: "É muito engraçado porque às vezes eu digo não, não posso ir. E ouço: 'vais sim' e vou".
No entanto, apesar da sua notável força e positividade, a atriz expressa uma área que ainda a perturba profundamente: "Mas o que mais me dói, o que acho mais injusto, é para uma mãe. Inclusive, hoje sou mãe da melhor filha do mundo, (…) e sinto que, de facto, não se faz uma mãe. Acho que se podia fazer de outra forma."
Goucha conclui este tema perguntando como a mãe de Rita está atualmente, após a perda dos filhos, e questiona se ela também partilha da mesma crença. A atriz responde: "Agora é, mas ela não acreditava. Acho que consegui transmitir-lhe alguma credibilidade na existência de algo mais forte e grandioso, seja de Deus, seja de uma energia."
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