Acácio Teixeira

Sérgio Praia

Acácio orgulhava-se de ter sido um dos empregados fundadores da companhia de aviação Luso Wings. Era operador de maquinaria pesada e um acidente deixou-o sem uma perna. Convicto de que o acidente se tinha ficado a dever a incúria da companhia, tentou por todos os meios que a mesma o compensasse financeiramente pela incapacidade sofrida mas a administração da Luso Wings, Mário em particular, escusou-se a assumir qualquer responsabilidade pelo ocorrido. Acácio, com uma irmã a seu cargo, Leonor, teve de aceitar um acordo de miséria para se reformar muito cedo e, como se de caridade se tratasse, a Luso Wings ofereceu-lhe uma prótese com que ainda hoje se desloca. Junto do seu bairro, a Mouraria, um casal de gente abastada comprou uma antiga casa e transformou-a em hostel. Júlio e Lídia condoeram-se dele e da irmã e deixaram-no a trabalhar e a viver no hostel. Acácio aceitou essa proposta e manteve-se à tona na esperança de que a irmã, entretanto a estudar Direito, viesse a conseguir reabrir o seu caso contra a Luso Wings e que se viesse a provar que não só ele não tinha tido culpa de nada como tinha perdido a perna por incúria da companhia.