Graça Andrade e Sousa

Sandra Faleiro

A família de Graça só veio para Portugal quando ela chegou à idade de ir para o ensino secundário. Tanto o pai como a mãe eram já segunda geração de portugueses em Moçambique e, no momento da independência, foram para a África do Sul onde penaram para refazer fortuna. Amargurados com o que haviam perdido, não quiseram ficar na África do Sul para assistir, segundo eles, ao seu “declínio”. Graça cresceu neste ambiente saudosista de um passado que não volta e nunca perdeu a fé de vir a conquistar mais do que a família tinha outrora perdido. Nesse ponto era muito parecida com Letícia com quem se dava lindamente apesar de a considerar um pouco estúpida. A sua beleza e a sua inteligência cativaram de imediato Mário e o casamento entre os dois parecia um sonho tornado realidade. Graça sentia-se feliz, era bem-sucedida profissional, familiar e economicamente e, aos poucos, com as suas próprias redes de contactos, e as do marido, começou a aproximar-se da vida política, comentando em jornais e televisões a actualidade nacional e internacional. A perda do filho preferido, Gonçalo, o benjamim, às mãos de terroristas transformou a sua vida por completo. A presença do outro filho, Tomé, era demasiado dura para ela, fazia-lhe sempre sentir a ausência de Gonçalo. Enquanto Mário procurou respostas para o que tinha acontecido nos amigos, na família e num novo amor, Graça assumiu a luta contra o terrorismo como o seu principal objetivo de vida. James Marques Farrell, um spin doctor afamado, viu nela a candidata perfeita a um alto cargo político e fez tudo para transformar a sua agenda política na dela. Apesar da sua inteligência, Graça foi demasiado inocente e manipulável nas mãos de James.