Durante anos, João Mota foi sinónimo de intensidade televisiva. Um dos vencedores mais marcantes da história dos realities da TVI, conquistou o público com uma mistura rara de frontalidade, emoção e humanidade.
Mas, longe dos holofotes e das galas em horário nobre, João encontrou um palco bem diferente: o das palavras ditas olhos nos olhos, em escolas e bibliotecas por todo o país.
Hoje, João Mota anda com livros de poesia debaixo do braço e histórias na ponta da língua. Trocou o confessionário pelo círculo de cadeiras, o aplauso fácil pelo silêncio atento.
Em salas cheias de adolescentes, bibliotecas municipais e auditórios escolares, partilha poemas, experiências de vida e, acima de tudo, perguntas. Porque a poesia que leva não vem com respostas fechadas — vem para abrir espaço.
Quem o conheceu na televisão lembra-se de um João intenso, emocionalmente exposto, muitas vezes incompreendido, e é precisamente essa vulnerabilidade que hoje se assume como uma das suas maiores forças.
O reality foi um capítulo, a poesia é outro, e ao percorrer o país, escola a escola e biblioteca a biblioteca, vai deixando versos, memórias e sementes.
Talvez nem todos se lembrem dos poemas, mas muitos recordarão a forma como se sentiram naquele dia em que alguém lhes disse que a sua voz também importa — e isso, longe de qualquer ecrã, continua a ser épico.