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Xana Carvalho mostra antes e depois e deixa um grito de revolta: «A obesidade não se combate com humilhação»

Xana Carvalho mostra antes e depois e deixa um grito de revolta: «A obesidade não se combate com humilhação» - Big Brother
Xana Carvalho

Xana Carvalho assinalou o Dia Mundial da Obesidade com um sentido desabafo

Xana Carvalho assinalou o Dia Mundial da Obesidade com um sentido desabafo, ao mesmo tempo que mostrou o seu antes de depois. A cantora, que foi concorrente do Dilema, está muito mais magra, após um processo de transformação.

Contudo, viveu anos de sofrimento. Agora, fala abertamente sobre isso, com o objetivo de acabar com o preconceito.

Leia aqui o texto na íntegra:  

Durante anos vivi em alerta.
Antes de entrar num sítio, já sentia os olhares.
Antes de alguém falar, o corpo já encolhia.
Porque há um tipo de olhar que pesa mais do que qualquer balança, o olhar que mede, compara e decide se temos direito em estar ali.
Usei roupas largas para me proteger.
Não por estilo, mas por sobrevivência.
Cada tecido solto era uma tentativa de silenciar comentários, de evitar perguntas, de não ser o assunto da sala.
E mesmo assim vinham. Os olhares demorados.
Os sorrisos de canto. E a pergunta dita como se fosse inofensiva: “Estás mais gorda?”
Sem saberem que isso rasgava por dentro.
Que fazia o chão desaparecer por segundos.
Que me fazia sentir exposta, diminuída, invadida.
Há uma dor muito específica em perceber que o nosso corpo deixou de ser só nosso e passou a ser território público.
Como se qualquer pessoa tivesse licença para opinar, avaliar, corrigir.
Não tem.
Ninguém tem o direito de comentar o corpo do outro.
Nem por curiosidade.
Nem por “preocupação”.
Nem por achar que está a ajudar.

O corpo de alguém não é tema de conversa,
não é aviso, muito menos debate.

A obesidade não se combate com humilhação.
Combate-se com cuidado, com escuta, com respeito.
E, acima de tudo, com humanidade.

Estas duas fotos sou eu.

O mesmo corpo a atravessar fases.
A mesma mulher a aprender, lentamente, a não pedir desculpa por existir.
Hoje já não me escondo como antes. Mas a ferida dos olhares fica. E cicatrizes também contam histórias.

Que este dia sirva para lembrar:

•Palavras, marcam.
•Olhares, ferem.
•Risos, esmagam.

E o silêncio respeitoso pode ser um enorme gesto de amor.

 

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