Em «Momento certo», conhecemos a história de Ana Candeias. Há histórias que nascem na dor — e que, ainda assim, florescem na generosidade. A vida de Ana Candeias é uma dessas histórias. Desde cedo, o lar, esse lugar que devia ser refúgio, foi palco de violência, silêncio e medo. Cresceu a ver o pai levantar a mão à mãe, e aprendeu, demasiado nova, que o amor pode doer. Quando a mãe fugiu, Ana ficou para trás. Ficou com o pai e com a indiferença de uma madrasta que lhe negava o mínimo, um prato de comida quente. O que lhe restava eram os pacotes de batatas fritas que o pai deixava nas prateleiras da cozinha e a refeição que comia na cantina da escola. Anos mais tarde, quando pensou finalmente ter encontrado paz, o passado bateu-lhe à porta com a mesma violência. O companheiro, pai de dois dos seus filhos, trocou o carinho pela agressividade e as promessas por ameaças. Ana separou-se e ficou sem nada. Passou mais uma vez fome mas nunca deixou que nada faltasse aos seus dois filhos. Na altura encontrava apoio junto do dono de um café que, várias vezes, lhe cedia pacotes de leite para enganar um estômago já muito massacrado. E também junto de uma amiga que chegou a acolhê-la em casa. Mesmo depois das atrocidades da vida, nunca desistiu. E foi do sofrimento que nasceu a bondade. Hoje, é conhecida como “a senhora das sopas” — a mulher que transforma legumes em esperança e ajuda dezenas de famílias.
Ana passou fome. Hoje é conhecida como «a senhora das sopas» e ajuda dezenas de famílias: «Levei muita porrada»
26 out, 08:44