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Kirsty McKie morreu após consumir álcool contaminado em Bali.
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A mãe lançou uma campanha de alerta sobre bebidas falsificadas no estrangeiro.
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Autoridades reforçaram os avisos sobre envenenamento por metanol em viagens.
Kirsty McKie, de 38 anos, morreu em julho de 2022 devido a complicações provocadas por envenenamento por metanol, após consumir inadvertidamente limoncello contaminado em Bali. Desde então, a mãe, Margaret, tem-se dedicado a alertar para os perigos associados ao consumo de álcool falsificado e rotulado de forma fraudulenta em países estrangeiros.
A ceramista natural de Stockport, em Inglaterra, vivia e trabalhava na ilha indonésia quando, a 24 de julho de 2022, morreu dois dias depois de ter bebido uma garrafa de limoncello com uma amiga, sem saber que a bebida continha metanol. A informação consta de um relatório de prevenção de futuras mortes apresentado pelo Courts and Tribunals Judiciary a 20 de fevereiro.
«Não soubemos durante meses o que a matou», recordou Margaret ao Manchester Evening News, numa entrevista publicada a 22 de fevereiro. «Não fazíamos ideia da razão da sua morte.»
Embora a amiga de Kirsty também tenha ingerido a bebida contaminada, acabou por recuperar, assumindo que os sintomas se deviam apenas a «uma forte ressaca».
Margaret explicou que o corpo da filha foi trasladado para o Reino Unido e o funeral realizou-se um mês após a morte, sem que a família tivesse respostas. «Não sabíamos que tinha sido envenenamento por metanol até algum tempo depois. Um patologista em Bali recolheu amostras e manteve-as em condições laboratoriais até poderem ser analisadas, momento em que soubemos a verdade», afirmou.
Apesar de Kirsty ser descrita como «bem informada» e «cuidadosa» na escolha de fornecedores de bebidas de qualidade — sendo que o noivo tinha um negócio de vinhos e um restaurante, acabou por ser vítima de uma situação inesperada. Desde então, Margaret assumiu como missão sensibilizar para os riscos do consumo de álcool adulterado no estrangeiro.
Segundo explicou, o metanol pode surgir em bebidas produzidas de forma não profissional, como em destilações locais feitas sem controlo adequado, ainda que sem intenção criminosa. «Não é crime organizado, mas sim descuido e falta de profissionalismo. Por outro lado, há empresas que engarrafam metanol deliberadamente por ser barato. É um ato intencional e não é próprio para consumo humano», alertou.
Margaret sublinhou que não há garantias de segurança. «Queremos que as pessoas percebam que não há forma de ter a certeza absoluta. Para estar totalmente seguro, aconselhamos a não beber shots ou cocktails, porque não se sabe o que contêm, mas também não há garantia de que uma bebida espirituosa seja segura. Pode acontecer a qualquer pessoa.» A própria Kirsty nunca tinha considerado a hipótese de envenenamento por metanol.
Em outubro de 2025, o Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO) passou a incluir orientações sobre envenenamento por metanol nas páginas de aconselhamento de viagem relativas à Indonésia e a outros sete países. «Estamos a trabalhar para aumentar a consciencialização sobre os sinais de alerta e apelamos a quem suspeite de envenenamento por metanol que procure assistência médica imediata», declarou Hamish Falconer, ministro responsável pelas áreas Consular e de Crise. «Incentivo todos os viajantes a consultarem as nossas páginas de aconselhamento e Travel Aware antes de partirem de férias.»
Embora empenhada em evitar que outras famílias passem pela mesma tragédia, Margaret reconheceu ao Manchester Evening News que teve de «fazer as pazes» com a impossibilidade de procurar justiça, uma vez que a garrafa em causa «já tinha sido deitada fora, não havendo forma de provar quem foi responsável».
«Pela nossa experiência, e pela de outras famílias enlutadas, não há apoio», afirmou. Acrescentou ainda que a campanha que lançou ganhou grande dimensão, sobretudo após acontecimentos no Laos, precisamente quando se encontrava em Bali a visitar o noivo de Kirsty. «É horrível e devastador. Isto não pode continuar a acontecer.»
«Cada vez mais pessoas estão a ouvir e a tomar consciência», concluiu Margaret. «É a única coisa que faz realmente sentido fazer depois da morte da Kirsty. Tentar impedir que isto aconteça a outras pessoas.»