Mulher de 27 anos vive há seis anos sem fazer xixi: «Foi difícil convencer os médicos» - V+ TVI1224
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Mulher de 27 anos vive há seis anos sem fazer xixi: «Foi difícil convencer os médicos»

  • Carina Oliveira
  • 15 abr 2025, 10:55

Exames revelaram que tinha mais de um litro de urina acumulado na bexiga — cerca de quatro vezes a sua capacidade normal

Anna Gray, uma jovem britânica de 27 anos, residente em Bath, Inglaterra, foi diagnosticada com uma condição médica rara e debilitante após passar quase seis anos sem conseguir urinar de forma natural. O diagnóstico — Síndrome de Fowler — só surgiu depois de múltiplas visitas a hospitais e longos períodos de sofrimento físico e emocional.

O início dos sintomas e a luta por um diagnóstico

Os primeiros sinais surgiram em dezembro de 2018, quando Anna acordou a meio da noite com vontade de urinar e percebeu que simplesmente não conseguia.

«No dia anterior estava tudo bem. De repente, não conseguia fazer xixi, por mais que tentasse. Bebi água, sentei-me na banheira, ouvi o som da água a correr… nada resultou», contou à publicação britânica Metro. «Isto durou cinco dias.»

Apesar das suas queixas, os médicos não levavam o caso a sério. Alguns sugeriram que seria apenas impressão sua, ou que estaria a recordar mal os acontecimentos.

«Foi extremamente difícil fazer com que acreditassem em mim», lamentou Anna.

Com dores intensas, a mulher regressou ao hospital, onde os exames revelaram que tinha mais de um litro de urina acumulado na bexiga — cerca de quatro vezes a sua capacidade normal. Os médicos acabaram por inserir um cateter para aliviar a pressão, descrevendo a dor como semelhante a «estar a ser esfaqueada na bexiga».

O diagnóstico: Síndrome de Fowler

Ao longo dos meses seguintes, Anna teve de recorrer a cateteres com frequência para esvaziar a bexiga, uma vez que continuava sem conseguir urinar naturalmente. Após insistir em mais exames, foi finalmente diagnosticada, em outubro de 2019, com Síndrome de Fowler, uma doença funcional rara do trato urinário.

Esta condição afeta normalmente mulheres jovens, entre os 20 e 30 anos, e resulta numa falha do esfíncter uretral — o músculo que controla o fluxo de urina — em relaxar adequadamente. Os sintomas incluem retenção urinária completa ou parcial, espasmos na bexiga e dor intensa.

«Disseram-me que a minha bexiga não tinha qualquer atividade e que provavelmente nunca voltaria a funcionar normalmente», revelou Anna ao Southwest News Service, citado pelo New York Post.

A adaptação a uma nova realidade

Sem cura conhecida para a síndrome, Anna aprendeu a autocateterizar-se cinco vezes por dia, o que lhe permite esvaziar a bexiga de forma manual. No entanto, continua a sofrer com infeções frequentes e a doença teve um forte impacto na sua saúde mental.

«Aceitar que era uma condição para a vida foi muito difícil. No ano passado, estive internada por causa da minha saúde mental», confessou. «Mas estou a melhorar aos poucos. Já me habituei ao saco. Uso calções e tops onde se vê — já não me incomoda. As pessoas fazem perguntas e eu respondo com naturalidade.»

Hoje, Anna encontra apoio numa comunidade online de outras pessoas com Síndrome de Fowler. A partilha de experiências tem sido fundamental para a sua recuperação emocional.

«Ao início, pensei que era a única pessoa no mundo a passar por isto. É uma situação extremamente isolante. Mas encontrar outras pessoas que entendem o que estou a viver foi incrível.»

 

O que é a Síndrome de Fowler?

A Síndrome de Fowler é uma disfunção neuromuscular rara que afeta maioritariamente mulheres jovens. Provoca retenção urinária crónica, devido à incapacidade do músculo do esfíncter de relaxar corretamente. O diagnóstico é complexo e, muitas vezes, adiado por falta de conhecimento sobre a condição. Não existe cura, e o tratamento passa por estratégias como o uso prolongado de cateteres e acompanhamento médico regular.

Veja as fotos partilhada por Anna Gray, no hospital, na galeria em cima.

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