Uma investigação que permaneceu praticamente parada durante mais de cinco anos acabou por conhecer um desfecho inesperado. O aparecimento de um crânio numa zona de Málaga permitiu reabrir um caso de desaparecimento e conduziu à confissão de um homem de 65 anos, suspeito de ter assassinado e esquartejado um amigo, recorrendo a métodos inspirados na série "Dexter".
Segundo avança o jornal espanhol El País, tudo começou em abril de 2020, em plena pandemia de covid-19, quando Francisco José Agüera, então com 59 anos, desapareceu sem deixar rasto em Coín, nos arredores de Málaga.
Apesar de a família ter comunicado o desaparecimento às autoridades, as buscas não produziram resultados. Por se tratar de um adulto e não existirem indícios claros de crime, o caso acabou por ser considerado de baixa prioridade, chegando mesmo a ser admitida a possibilidade de a vítima ter desaparecido voluntariamente.
Durante mais de cinco anos não surgiram pistas relevantes. A situação mudou apenas em junho de 2025, quando um funcionário municipal encontrou um crânio escondido dentro de um saco de plástico, na zona de Pinos de Alhaurín. A descoberta levantou imediatamente suspeitas de homicídio, mas a identidade da vítima continuava por confirmar.
Só em 2026 foi possível identificar os restos mortais como pertencentes a Francisco José Agüera, permitindo à Guardia Civil reabrir oficialmente a investigação. Apesar do tempo decorrido, os investigadores voltaram a analisar o caso e iniciaram uma nova ronda de interrogatórios a familiares, amigos e conhecidos da vítima.
Um dos primeiros indícios surgiu quando perceberam que o local onde tinha sido encontrado o crânio ficava muito próximo da residência da irmã de um amigo de Francisco José. O homem passou a ser considerado suspeito e acabou chamado para prestar declarações.
Durante o primeiro interrogatório, procurou afastar qualquer responsabilidade, chegando a afirmar: "Não fui eu. Não têm nada contra mim. E sei que não podem provar porque tenho muito tempo livre e já vi o CSI e muitas outras séries policiais."
As declarações despertaram ainda mais suspeitas, sobretudo pelas contradições apresentadas. Com o recurso a novas técnicas de investigação e ao cruzamento de provas tecnológicas, a Guardia Civil conseguiu estabelecer uma ligação entre o suspeito e o desaparecimento.
Confrontado com as evidências, o homem acabou por confessar o homicídio. Alegou que tudo aconteceu durante uma discussão, acusando a vítima de o ter roubado. Segundo a sua versão, ambos envolveram-se numa luta, perdeu os sentidos e caiu sobre Francisco José, provocando-lhe a morte por asfixia. Uma explicação que, segundo o El País, não convence os investigadores.
Após a morte da vítima, o suspeito revelou ter recorrido à série "Dexter" como inspiração para tentar ocultar o crime. Tal como acontece na conhecida produção televisiva, forrou toda a casa com plástico antes de esquartejar o corpo, um processo que durou vários dias e foi realizado com meios rudimentares.
Depois, colocou os diferentes pedaços do cadáver em vários sacos, utilizando ainda luvas de látex durante toda a operação. Cada saco foi posteriormente distribuído por diferentes pontos da urbanização de Pinos de Alhaurín, numa tentativa de dificultar qualquer investigação.
Na altura, a brigada de homicídios percorreu a zona com a ajuda de cães pisteiros, mas não encontrou qualquer vestígio do corpo, o que dificultou significativamente a possibilidade de uma acusação por homicídio.
Foi apenas depois de aconselhado pelo advogado que o suspeito decidiu colaborar com as autoridades, indicando o local onde tinha escondido parte dos restos mortais. Após cerca de cinco horas de buscas, os investigadores localizaram o tronco da vítima, uma descoberta que poderá agora ser determinante para apurar a causa exata da morte e reforçar o processo judicial.
O caso continua a ser investigado pelas autoridades espanholas.
Sabe de que série estamos a falar? Ora veja a entrevista ao protagonista: