Nos últimos anos, várias crises têm mostrado como o imprevisto pode afetar o dia a dia das famílias. Falhas elétricas, fenómenos meteorológicos extremos ou problemas nas comunicações podem dificultar o acesso a serviços básicos - incluindo pagamentos digitais. Por isso, um recente aviso do Sveriges Riksbank voltou a chamar a atenção para uma recomendação simples: ter algum dinheiro em numerário guardado em casa para situações de emergência.
Segundo orientações divulgadas pela instituição sueca, cada adulto deve manter entre 70 e 100 euros em notas pequenas e moedas, enquanto cada criança deve ter cerca de 30 euros disponíveis. O objetivo é garantir que as famílias consigam fazer pequenas compras essenciais mesmo quando os sistemas eletrónicos de pagamento deixam de funcionar.
A recomendação faz parte das estratégias de preparação civil para crises, cada vez mais discutidas em vários países europeus. O dinheiro vivo deve integrar um pequeno kit de emergência doméstico, pensado para responder às primeiras 72 horas após um incidente.
Nessas situações, pode acontecer que terminais de pagamento, caixas multibanco ou redes móveis fiquem indisponíveis, o que impede pagamentos com cartão ou aplicações digitais.
Além do numerário, muitos guias de preparação para emergências aconselham ainda a ter em casa água, alimentos não perecíveis, lanternas, pilhas, medicamentos essenciais e um rádio portátil.
A preocupação não é apenas teórica. Nos últimos anos, vários acontecimentos vieram demonstrar a vulnerabilidade das infraestruturas.
Em 2025, um grande apagão que afetou o sul da Europa, incluindo Portugal e Espanha, deixou milhões de pessoas temporariamente sem eletricidade e provocou perturbações nos sistemas de pagamento eletrónico. Situações semelhantes têm ocorrido também durante tempestades intensas ou outros eventos climáticos extremos.
Nestes cenários, o numerário pode tornar-se a forma mais simples - e por vezes a única - de pagar bens essenciais.
Apesar de, até ao momento, não existir um valor específico recomendado para o nosso país, pelo Banco de Portugal nem pelo Banco Central Europeu, ambas as instituições têm alertado para a importância de manter algum dinheiro em numerário disponível, precisamente para responder a situações inesperadas em que os pagamentos eletrónicos possam falhar.
Ainda assim, o conselho é claro: guardar apenas o indispensável, uma vez que não é seguro manter grandes quantias de dinheiro em casa.
Especialistas em segurança aconselham que o numerário seja guardado num local discreto, que não seja demasiado óbvio para quem entra na casa, mas que ao mesmo tempo possa ser rapidamente acedido em caso de emergência.
O ideal é que esteja dividido em notas de pequeno valor (de 5, 10 e 20 euros) e moedas, facilitando pagamentos simples em lojas ou serviços locais caso as redes digitais estejam temporariamente indisponíveis.
Num mundo cada vez mais dependente de tecnologia, o dinheiro físico pode parecer algo do passado. No entanto, em momentos de crise, continua a ser uma das soluções mais fiáveis para garantir alguma autonomia nas primeiras horas após um imprevisto.