Marido morreu em vez da mulher no fatídico acidente do Elevador da Glória. E ela só soube dias depois - V+ TVI1224
Foto: Horacio Villalobos/Getty Images

Marido morreu em vez da mulher no fatídico acidente do Elevador da Glória. E ela só soube dias depois

  • Carina Oliveira
  • 11 set 2025, 15:25

A tragédia aconteceu no último dia de férias do casal de turistas em Lisboa

«Ele é uma das pessoas mais doces que já conheci», disse Hind Iguernane sobre o marido, Aziz Benharref. A marroquina, residente no Canadá, recorda os últimos momentos ao lado do marido, uma das 16 vítimas mortais do trágico acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, no início deste mês.

“Estávamos sentados lado a lado”, contou Hind, a partir do hospital, à CTV News. “Eu ia sentar-me no lugar dele, e ele disse: ‘Não, senta-te aqui, é mais confortável para ti’.”

O acidente no Elevador da Glória

Na quarta-feira, 3 de setembro, uma das composições do popular Elevador da Glória — sistema histórico de funiculares que liga a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto — descarrilou e embateu contra um edifício. O acidente provocou 16 mortos e feriu pelo menos 20 pessoas, entre elas Hind Iguernane.

“Foi assustador”, contou. “Houve o embate. Não o vi. Chamava por ele, gritava ‘Aziz’, mas ele não respondia.”

A mulher sofreu fratura da anca e do ombro, esteve intermitentemente inconsciente e só dias depois soube que o marido tinha morrido.

“Perguntava por ele e, durante duas noites, ninguém me dizia nada ou pelo menos não me diziam o que tinha acontecido”, explicou. “Apenas me respondiam: ‘Estamos a procurá-lo, continuamos à procura dele’.”

Segundo a CTV News, Aziz Benharref tinha 42 anos, era cidadão canadiano e tinha origem marroquina, tal como a esposa.

Recuperação e despedida

Uma campanha de angariação de fundos (GoFundMe) revelou que Aziz morreu devido a lesões traumáticas. Numa atualização partilhada a 10 de setembro, familiares de Hind confirmaram que o seu estado de saúde está a melhorar e que será transferida para um hospital em Marrocos para continuar a recuperação. O corpo do marido será também trasladado para o país para ser sepultado.

“Ele era gentil com toda a gente. Era generoso, trabalhador, respeitador. Era um excelente marido. Adorava o Canadá”, disse Hind, em homenagem.

Outras vítimas e investigação

Entre as vítimas mortais do acidente estiveram ainda André Bergeron, do Quebeque, e a sua mulher, Blandine Daux, cidadã francesa e residente no Canadá. O irmão de André, Eric Bergeron, contou à CBC que o casal estava no último dia de férias em Portugal quando ocorreu a tragédia.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) concluiu, em relatório preliminar de 6 de setembro, que o acidente se deveu à rutura do cabo que ligava as duas composições.

“A partir da análise dos destroços no local, ficou imediatamente claro que o cabo de ligação cedeu no ponto de fixação dentro do trambolho superior da cabine n.º 1”, refere o relatório.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Canadá confirmou a morte de dois cidadãos canadianos, sem revelar identidades por razões de privacidade, e garantiu estar a prestar apoio consular às famílias.

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