Farihah, hoje com 18 anos, recorda com clareza o dia em que tudo mudou. Tinha apenas 4 anos quando começou a sentir-se estranha: uma sensação invulgar numa das pernas, fadiga e episódios de sangramento inexplicáveis. A mãe, inicialmente convencida de que se tratava de uma desculpa para não ir à escola, depressa percebeu que algo não estava bem.
Em entrevista ao jornal britânico The Mirror, a jovem de East London recordou o momento em que percebeu que algo no seu corpo estava errado:
“Senti que não conseguia andar. Não conseguia levantar a perna direita.”
Com o agravamento dos sintomas — hemorragias nasais frequentes, nódoas negras sem explicação e um cansaço constante — a mãe levou-a ao médico. Após vários exames, a notícia chegou em outubro de 2011: leucemia linfoblástica aguda, uma forma rara e agressiva de cancro.
“Contaram à minha família enquanto eu estava lá fora com o meu tio. Eles ficaram de coração partido,” lembra Farihah.
“Mas para mim, a palavra 'cancro' não significava muito. Só percebia que estava doente e precisava de estar no hospital.”
Dois anos de luta e esperança
Seguiu-se um tratamento intenso, com dois anos de quimioterapia no Hospital Great Ormond Street (GOSH), um dos mais conceituados hospitais pediátricos do Reino Unido. Farihah perdeu o cabelo três vezes, usou cadeira de rodas, teve de ser alimentada por sonda e sofreu de náuseas diariamente.
“Sentia-me doente todos os dias. Mas mesmo assim, sou muito grata à equipa médica e a todos no hospital,” afirma.
“Criaram um ambiente seguro para mim, quase como uma casa. Nunca me esquecerei do carinho com que trataram a mim e à minha família.”
Sonho de futuro com raízes no hospital
Hoje, completamente livre da doença, Farihah quer seguir cinema na universidade — uma paixão que nasceu nos dias longos passados no hospital.
“Via muitos filmes no GOSH, e o pessoal sentava-se connosco nas enfermarias para assistir. Esse gosto foi crescendo e quero agora fazer disso carreira.”
O que é a leucemia linfoblástica aguda?
Trata-se de um cancro do sangue e da medula óssea, que afeta o tecido esponjoso no interior dos ossos onde se produz a medula. É uma doença que evolui rapidamente, mas com uma taxa de sobrevivência elevada em crianças. Em adultos, o prognóstico é mais reservado, segundo o Mayo Clinic.