O passado humilde de Bad Bunny: do trabalho num supermercado ao estrelato mundial

  • Carina Oliveira
  • 10 fev, 13:08

Hoje é um dos artistas mais ouvidos do mundo, um fenómeno global da música e uma das figuras mais influentes da cultura pop contemporânea. Mas a história de Bad Bunny está longe de ser um conto de fadas. Antes da fama, dos palcos internacionais e dos recordes, Benito Antonio Martínez Ocasio viveu uma infância simples e marcada por desafios.

Nascido a 10 de março de 1994, em Vega Baja, Porto Rico, Bad Bunny cresceu no bairro de Almirante Sur, no seio de uma família humilde. O pai era camionista e a mãe professora, e o próprio artista já contou, em várias entrevistas, que a vida em casa era simples, mas cheia de amor.

«O meu pai trabalhava como camionista. Eu tinha apenas um par de sapatos. Havia dificuldades, mas nunca faltou carinho em casa», recordou numa entrevista.

Infância discreta e episódios de bullying

Durante a infância e adolescência, Benito era conhecido por ser reservado, introvertido e apaixonado por música. Cantava frequentemente no coro da igreja e ouvia géneros muito variados, do reggaeton à salsa e ao rock. Essa diferença acabou por torná-lo alvo de bullying na escola, algo que o próprio já assumiu publicamente e que marcou a sua personalidade e forma de estar no mundo.

Essa experiência ajudou a moldar a postura que hoje o caracteriza: uma defesa constante da individualidade, da liberdade de expressão e da quebra de estereótipos, tanto na música como na imagem.

Antes da fama, um trabalho “normal”

Muito antes de se tornar um fenómeno global, Bad Bunny teve uma vida como a de tantos outros jovens. Enquanto estudava Comunicação Audiovisual na Universidade de Porto Rico, trabalhou como caixa num supermercado Econo, um dos maiores retalhistas da ilha.

Foi precisamente nessa fase que começou a gravar músicas de forma independente e a publicá-las no SoundCloud, plataforma que viria a mudar o rumo da sua vida. Em 2016, o tema Diles chamou a atenção da indústria musical e abriu-lhe as portas para um contrato discográfico.

Uma ascensão sem precedentes

Desde então, a carreira de Bad Bunny tem sido meteórica. Tornou-se o artista mais ouvido do mundo no Spotify durante vários anos consecutivos (2020, 2021 e 2022), um feito histórico para um cantor que canta maioritariamente em espanhol.

Embora já tenha vencido vários Grammy e Latin Grammy Awards, incluindo Melhor Álbum de Música Urbana, Bad Bunny fez história, no passado dia 2 de fevereiro, ao vencer o Grammy de Álbum do Ano, categoria principal da cerimónia. "Debí Tirar Más Fotos" foi o primeiro álbum totalmente em espanhol a ser considerado o melhor pela Academia de Artes e Ciências de Gravação.

Além da música, Bad Bunny tem-se destacado na moda, no cinema e no ativismo social, usando a sua visibilidade para falar sobre temas como saúde mental, identidade, igualdade de género e a realidade social de Porto Rico.

Uma história de esforço e identidade

A história de Bad Bunny é, acima de tudo, um exemplo de resiliência, autenticidade e trabalho árduo. Do jovem tímido que sofreu bullying e trabalhou num supermercado ao artista que enche estádios e lidera tabelas mundiais, o percurso de Benito Martínez Ocasio mostra que o sucesso não apaga as origens — antes as reforça.

E talvez seja precisamente essa verdade crua, sem filtros, que faz com que milhões de pessoas em todo o mundo se revejam nele.

Recentemente, Bad Bunny protagonizou o espetáculo do intervalo do Super Bowl - um dos mais assistidos no mundo inteiro -, aproveitando o momento para deixar uma mensagem social, o que gerou desagrado a Donald Trump, Presidente dos EUA.

Veja algumas imagens do artista e da sua performance, na galeria que preparámos para si, em cima.