Engordei 30 kg: «O meu marido deixou de se interessar por mim» - V+ TVI1224
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Engordei 30 kg: «O meu marido deixou de se interessar por mim»

  • Redação V+ TVI
  • 11 nov 2025, 09:13

Mas há uma voz dentro de mim que me diz que ainda há tempo

Todas as semanas, publicamos contos ficcionais sobre o amor, a partir de casos reais.

Chamo-me Susana. Tenho trinta e seis anos e estou casada com o Samuel há quatro.
Sempre fui uma mulher cheinha, e durante muito tempo vivi bem com isso. O Samuel dizia que gostava de mim assim — “tens o corpo de uma mulher real”, costumava repetir.
Mas com o passar do tempo, as coisas começaram a mudar.

Engordei trinta quilos. Foi um processo lento, quase invisível, até que um dia já não me reconhecia no espelho.
Não era só o corpo — era o olhar cansado, o ar apagado, a roupa que deixava de servir. E, sobretudo, a sensação de que me tinha perdido algures no meio da rotina, do trabalho e da culpa.

Sempre gostei de doces. Eram o meu refúgio quando me sentia em baixo. Um pedacinho de bolo transformava-se num prato inteiro. Um chocolate “só hoje” virava hábito. Sei que há algo em mim que não funciona bem — talvez o metabolismo, talvez a cabeça, talvez as duas coisas.
Já tentei o ginásio, dietas, suplementos, até consultas médicas… mas a força de vontade dura pouco. Sinto-me derrotada antes mesmo de começar.

E o Samuel…
O Samuel já não é o mesmo. Ou talvez seja, e eu é que já não consigo ser a mulher que ele amava.
Ele deixou de me procurar. Já não há toques, nem beijos demorados, nem aquela curiosidade de antes.
Dorme ao meu lado, mas parece distante, como se o corpo dele estivesse ali e o resto tivesse ido embora há muito tempo.

No início, tentei não ligar. Disse a mim mesma que era o stress, o trabalho, a rotina. Mas os meses foram passando e o silêncio entre nós ficou mais pesado.

Hoje, há dias em que mal trocamos duas palavras. Outros, ele é simpático, atencioso até, mas sinto que é por pena, não por amor.

E eu?
Eu sinto-me cada vez pior. Evito o espelho. Escondo-me em roupa larga. Sinto vergonha de mim, da minha pele, do meu corpo.
Quando ele me olha, penso logo no que ele deve estar a pensar — “como é que ela chegou aqui?”.

Todos me dizem para emagrecer. A minha mãe, as colegas, até as amigas que tentam ser delicadas: “vais ver que quando voltares a perder peso tudo melhora”.
E eu sorrio, aceno, mas por dentro só quero chorar. Ninguém entende que já não é só uma questão de peso. É uma questão de vontade — e eu, neste momento, não tenho força para mais nada.

Tudo o que quero é vestir roupa larga, enroscar-me no sofá e ver televisão. Esquecer o mundo por umas horas, não pensar em mim, nem nele, nem em nada.
A televisão é o único sítio onde não me julgam. É lá que passo os serões, a olhar para rostos felizes, corpos perfeitos, e a sentir que pertenço cada vez menos ao meu próprio lugar.

Há noites em que finjo dormir, só para não ter de enfrentar o vazio.
Outras, fico acordada a recordar o que éramos — as gargalhadas, os planos, a forma como ele me fazia sentir única.
Agora, sinto-me invisível.

Mas, por mais dor que isto me traga, há dentro de mim uma pequena chama que não quero deixar apagar.
Uma voz que me diz que ainda há tempo — tempo para me reencontrar, para me cuidar, para voltar a gostar de mim.
Talvez o Samuel volte a ver-me. Talvez não.
Mas sei que preciso, antes de tudo, de voltar a ver-me eu.

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