O meu marido quis um casamento aberto, mas «o tiro saiu-lhe pela culatra...» - V+ TVI1224
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O meu marido quis um casamento aberto, mas «o tiro saiu-lhe pela culatra...»

  • Redação V+ TVI
  • 25 mar, 15:31

O desejo foi dele mas, no final, a escolha não

Este é um conto ficcional sobre o amor, baseado num caso real.

Chamo-me Marisa, tenho 34 anos, e durante muito tempo achei que tinha um casamento estável. Não perfeito — nenhum é — mas seguro. Eu e o Rúben estávamos juntos há vários anos, partilhávamos rotinas, contas, silêncios confortáveis. Não tínhamos filhos, mas tínhamos uma vida que, vista de fora, parecia certa.

Até ao dia em que ele me disse, quase como quem sugere mudar de sofá:

— E se abríssemos o casamento?

Lembro-me de ficar a olhar para ele, à espera que se risse. Não se riu.

Explicou-me que não se tratava de deixar de nos amar, mas de “explorar”, de “não nos limitarmos”. Usou palavras modernas para uma ideia que me caiu como um murro no estômago. Eu não respondi. Disse que precisava de pensar.

Durante uma semana, andei em piloto automático. Ia trabalhar, voltava para casa, fingia que estava tudo normal. Mas não estava. Havia um ruído constante dentro de mim.

Ao sétimo dia, ele perdeu a paciência.

— Marisa, preciso de uma resposta. Ou aceitas isto… ou mais vale separarmo-nos.

Foi ali que algo se partiu. Não foi um estrondo. Foi um estalar silencioso.

Contei tudo à minha melhor amiga, a Sofia, entre lágrimas e copos de vinho.

— Eu não quero perdê-lo — disse-lhe.

Ela ficou a olhar para mim, com aquele ar prático que sempre teve.

— Então experimenta. Não tens nada a perder.

— Tenho tudo — respondi.

Mesmo assim, dias depois, lá estava eu a criar um perfil numa aplicação de encontros. Senti-me ridícula. Deslocada. Exposta. Nunca me achei particularmente bonita — sempre tive complexos com o meu corpo, com o peso, com a forma como a roupa me assentava.

Mas depois começaram a chegar as mensagens.

Primeiro uma. Depois várias. Homens interessados, educados, curiosos. Alguns só queriam conversar. Outros queriam conhecer-me. E, contra todas as expectativas — inclusive as minhas — eu comecei a sair.

No início, era estranho. Quase mecânico. Eu e o Rúben até comentávamos, de forma quase clínica, as nossas experiências. Mantínhamos uma espécie de regra: um fim de semana por mês só nosso. Jantares, filmes, tentativas de normalidade.

Mas a normalidade já não existia.

Com o tempo, notei uma mudança. O Rúben começou a sair menos. Queixava-se, sem dizer diretamente, de falta de oportunidades. Eu… não. Eu tinha convites. Tinha atenção. Tinha conversas que me faziam sentir vista de uma forma que já não sentia há anos.

Acabei por criar ligação com duas pessoas. Sabiam da minha situação. Não queriam complicações. E, curiosamente, era nisso que encontrava paz: na ausência de exigências.

O Rúben começou a ficar irritado. Pequenas coisas. Comentários. Silêncios pesados.

Até que, uma noite, já deitados, ele virou-se para mim:

— Ainda me amas?

A pergunta ficou no ar.

Eu não respondi logo.

Porque a verdade… é que já não sabia.

— Gosto de ti — acabei por dizer. — Mas… não sei se ainda estou apaixonada.

Ele virou a cara. E foi nessa noite que percebi tudo.

Confessou-me, dias depois, que a ideia do casamento aberto tinha começado por causa de uma colega de trabalho. Uma curiosidade. Uma coisa que “não deu em nada”.

Mas deu.

Deu em nós.

Também percebi outra coisa: enquanto ele gastava dinheiro em jantares, tentativas e desilusões, eu era convidada, desejada, escolhida. E isso mexeu comigo mais do que qualquer encontro.

Pela primeira vez em muito tempo, senti-me suficiente.

Olhei para ele e já não vi o homem por quem me tinha apaixonado. Vi alguém que arriscou tudo por uma fantasia… e perdeu.

Fui eu que pus um ponto final. Pedi o divórcio. Ele não queria. Implorou, discutiu, prometeu. Mas já era tarde.

Hoje, passaram alguns meses. Continuo a sair, a conhecer pessoas, a viver sem rótulos. Não procuro nada sério. E, pela primeira vez, isso não me assusta.

O Rúben ainda me manda mensagens.

“Tenho saudades tuas.”
“Estraguei tudo.”
“Podíamos tentar outra vez.”

Eu leio. Às vezes respondo. A maioria das vezes não.

Mas há uma frase que me vem sempre à cabeça, inevitável, quase irónica:

O tiro saiu-lhe pela culatra...

Este conteúdo contou com a participação de inteligência artificial na sua elaboração.

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