Aos 59 anos descobri o que era desejar alguém: «Nunca pensei apaixonar-me por uma mulher tão mais nova» - V+ TVI1224
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Aos 59 anos descobri o que era desejar alguém: «Nunca pensei apaixonar-me por uma mulher tão mais nova»

  • Redação V+ TVI
  • 11 dez 2025, 18:05

Nesta idade, já tinha deixado de acreditar que um amor assim era possível

Todas as semanas, publicamos contos ficcionais sobre o amor, a partir de casos reais.

Chamo-me Rogério e, aos 59 anos, estou a viver algo que julgava já não me pertencer: um romance que me devolveu o corpo, a pele, o arrepio, a centelha que pensei ter perdido para sempre.

A verdade é que, até aqui, o amor sempre me aparecera em versões pálidas.

O meu primeiro casamento foi cedo demais — aos 23. Casei com a Ana, uma rapariga doce, mas tão insegura como eu. Construímos uma vida correta: casa pequena, emprego estável, contas pagas a tempo. Mas não havia fogo, nem sequer brasa. O carinho era formal, disciplinado, quase burocrático. Chegámos a ter dois filhos, e talvez por eles tenhamos ficado juntos mais do que devíamos. A certa altura percebi que, mais do que marido e mulher, éramos colegas de quarto. Acabou ao fim de 16 anos, numa separação calma, quase sonâmbula.

Depois veio a Cecília, já eu tinha quarenta e poucos. Era uma mulher decidida, viajada, culta — e eu apaixonei-me por essa força. Foi intenso no início, mas o entusiasmo dela desapareceu como quem fecha uma porta sem aviso. Nos últimos tempos, afastou-se do mundo, de mim, de tudo. Entrou numa espécie de silêncio emocional, como se apagasse lentamente. E eu, que não sabia como salvá-la, fui ficando para trás. Ela acabou por partir — não para outra pessoa, mas para longe de si mesma. E nós fomos juntos ao fundo, até percebermos que não havia salvação possível. Separámo-nos com tristeza, mas sem raiva.

Foi então que, aos 54, conheci a minha terceira mulher, a Helena. Era serena, fazia bem à casa, à alma, ao ritmo dos dias. Foi um casamento bonito, sem grandes emoções, mas de companheirismo sincero. Contudo, depois de três anos de doença lenta e dolorosa, ela morreu nos meus braços numa manhã de Setembro. E eu fiquei viúvo, perdido e cansado. O luto arrastou-se, pesado como um casaco molhado.

Aos 56, achei que o amor era uma viagem que eu já não apanharia.

Foi a minha filha mais velha, a Bárbara, que me arrancou dessa dormência. Uma noite, enquanto jantávamos, falámos de solidão. Ela, a rir, disse:

— Pai, porque não entras nessas aplicações de encontros? Hoje em dia é assim que as pessoas se conhecem.

Eu ri, claro. Parecia absurdo. Mas, umas semanas depois, já com um copo de vinho a mais, deixei-a criar-me um perfil. Ficámos os dois no sofá, a deslizar para um lado e para o outro entre desconhecidas. Era quase um jogo.

Até que ela parou num perfil.

— Esta aqui, pai… esta tem qualquer coisa. Chama-se Sofia. Tem 43 anos. Professora de música. Vê os olhos dela.

Vi. E senti o coração mexer-se — talvez surpresa, talvez memória, talvez esperança.

Achei que era demasiado nova, mas a Bárbara mandou a primeira mensagem antes que pudesse dizer alguma coisa.

O encontro ficou marcado para um sábado de manhã, num café com esplanada junto ao rio. Eu estava nervoso como um miúdo: camisa nova, barba aparada, perfume discreto. Senti-me ridículo, mas vivo.

Quando a vi aproximar-se, percebi logo que qualquer coisa em mim ia mudar.

A Sofia tinha um sorriso luminoso, daqueles que chegam antes das palavras. Era mais baixa do que parecia na fotografia, o cabelo revolto pelo vento, e trazia uma energia que me desarmou por completo. Conversámos durante horas, como se nos tivéssemos encontrado muitas vezes noutra vida qualquer.

Ela tocava piano. Eu adorava ouvir piano. Rimo-nos desse acaso.

Havia nela uma alegria tranquila, mas também um olhar profundo, atento, que me fazia sentir visto — verdadeiramente visto — pela primeira vez em décadas.

No segundo encontro fomos passear à beira-mar. No terceiro, jantámos à luz de velas num restaurante pequeno, escondido entre ruas estreitas. No quarto, deixei de contar encontros. Deixei de contar medos. Deixei de contar anos.

O desejo chegou devagar, mas com a força de uma maré que não se pode travar. Não foi explosivo, foi terno, crescente, seguro. Uma mão que pousa na nossa. Um abraço que fica um segundo a mais. Um beijo que desarma.

E, quando nos entregámos um ao outro, percebi — com espanto, quase com incredulidade — que nunca, em toda a minha vida, tinha sentido aquilo. Nunca aquela intimidade que é mais do que física. Aquela vulnerabilidade bonita, aquele espaço onde o corpo e a alma se encontram pela primeira vez.

Aos 59 anos.

Hoje, estamos juntos há quase um ano. A minha casa, antes silenciosa, voltou a ter música. Às vezes sento-me no sofá e vejo a Sofia tocar piano, os dedos a deslizar pelas teclas, e penso que a vida tem um sentido de humor extraordinário: dá-nos o que precisamos quando já desistimos de pedir.

A minha filha diz que pareço mais novo. O meu neto diz que tenho “cara de feliz”. E eu… eu acredito.

Não sei o que virá, nem como acaba. Mas sei isto:

Aos 59 anos, descobri o desejo. Descobri o amor. Descobri-me a mim.
E finalmente, finalmente, sinto-me homem — inteiro, desperto, vivo.

Este conteúdo contou com a participação de inteligência artificial na sua elaboração.

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