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Dois irmãos espanhóis apaixonam-se e têm dois filhos, desafiando convenções sociais e legais.
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Médicos garantem que o risco de problemas genéticos nos filhos é apenas ligeiramente superior ao de casais sem ADN em comum.
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O casal luta agora pelo direito ao casamento, enquanto enfrenta apoio e críticas intensas nas redes sociais.
Uma história que mistura romance e polémica volta a gerar novas discussões em Espanha. A espanhola Ana Parra tinha apenas 20 anos quando descobriu que o pai, que a abandonara em bebé, tinha formado outra família e tido um filho. Determinada em encontrá-lo, acabou por localizar o irmão através do Facebook. O reencontro, que começou com uma amizade, transformou-se num relacionamento amoroso, apesar de ambos saberem que eram meio-irmãos.
“A minha mãe disse-me que o meu pai nos tinha deixado para formar outra família e que tinha outro filho”, recordou Ana numa entrevista dada em 2023 ao jornal El Español. Do outro lado da história está Daniel Parra, que vivia apenas com o pai, depois da separação deste em relação à mãe, quando ele tinha oito anos.
“Nunca quis procurá-la. Talvez se fosse filho único teria tido essa necessidade de procurar a minha irmã perdida”, explicou Daniel ao mesmo jornal. Daniel, além de Ana, tem mais três irmãos, fruto das relações do pai e da mãe.
Um amor que surgiu sem pedir licença
O primeiro encontro entre os dois aconteceu quando Daniel tinha 17 anos e Ana 20. A ligação foi imediata e nunca mais se afastaram. Embora os primeiros momentos tenham sido marcados pelo embaraço, rapidamente se tornaram próximos. Ana mudou-se para uma casa próxima da de Daniel e, com a convivência, a amizade intensificou-se.
“Tentávamos manter aquela relação fraternal, que os padrões estabelecem, mas não a sentíamos assim... Aquele sentimento fraterno não existia. Conheci uma rapariga que me disse que era minha irmã, que tinha os mesmos gostos que eu e com quem me divertia muito, mas não conseguia considerá-la irmã”, explicou o jovem.
O primeiro beijo que resultou em vergonha e culpa
Apesar de lutarem contra a atração, numa festa acabaram por se beijar — momento que os deixou perturbados. “Cada um seguiu o seu caminho, ficámos um pouco envergonhados com o que tinha acabado de acontecer”, contou Daniel. No entanto, a distância durou pouco: não resistiram mais de três dias sem se ver.
O círculo de amigos acabou por aceitar a relação e apoiar o casal. Fora desse grupo, porém, a reação foi dura: a igreja, os vizinhos e até utilizadores das redes sociais condenaram-nos com críticas e insultos.
Ana e Daniel lutam pelo direito a casar
Atualmente, Ana e Daniel são pais de duas crianças, de sete e cinco anos. Ambos admitiram a preocupação com os riscos da consanguinidade, mas, segundo revelaram, receberam garantias médicas de que a probabilidade de problemas de saúde seria apenas 4% superior à de qualquer outro casal.
O grande objetivo do casal é agora conseguir casar. O Código Civil espanhol proíbe o matrimónio entre familiares diretos, embora o incesto não seja considerado crime no país desde 1978. Nesse sentido, está em curso uma petição para tentar alterar a lei e permitir que Ana e Daniel possam oficializar a sua união.
Polémica nas redes sociais
Os comentários aos posts nas páginas de Instagram do casal dividem-se entre apoio e crítica, refletindo a polarização da sociedade em relação a este caso único: "Se são felizes e se amam, quem sou eu para dizer que estão errados??? Desejo-lhes toda a felicidade do mundo❤️❤️❤️", pode ler-se numa onda de comentários de apoio. Por outro lado, são inúmeras as críticas: «Milhões, literalmente milhões de homens no mundo, e tu envolves-te com o teu irmão. Uma psicóloga adoraria estudar isto".
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