O jejum intermitente — um padrão alimentar que alterna períodos de restrição voluntária de alimentos com janelas de alimentação — tem vindo a ganhar popularidade em Portugal e noutros países. Contudo, os especialistas alertam que, apesar dos potenciais benefícios, esta prática não é indicada para todas as pessoas e deve ser adotada com cautela e acompanhamento profissional.
No Bom dia Alegria desta quinta-feira, 17 de julho,
Quais são os potenciais benefícios?
Vários estudos indicam que o jejum intermitente pode ajudar na perda de peso e na melhoria de alguns parâmetros de saúde metabólica, como a resistência à insulina, o colesterol, a tensão arterial e os marcadores inflamatórios. Alguns dados preliminares sugerem ainda possíveis benefícios cognitivos, sobretudo em adultos mais velhos com risco acrescido de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Ensaios clínicos rigorosos mostraram que regimes como o 16:8 (16 horas de jejum e 8 de alimentação) podem contribuir para o controlo da glicemia e dos lípidos, com resultados comparáveis a dietas hipocalóricas convencionais. Num estudo recente com roedores obesos, publicado na revista The Lancet, mesmo com uma alimentação rica em gordura, o jejum intermitente evitou o ganho de peso adicional e melhorou os níveis de glicose e colesterol.
E os riscos?
Apesar das vantagens, o jejum intermitente não está isento de riscos. Segundo especialistas das universidades de Harvard e da UPMC, esta prática pode provocar efeitos secundários como dores de cabeça, cansaço, irritabilidade, alterações de humor, prisão de ventre, insónias e tonturas. Há também relatos de perda de massa muscular e episódios de compulsão alimentar durante as janelas de ingestão alimentar.
Além disso, um estudo recente relacionou janelas alimentares demasiado curtas (menos de 8 horas por dia) com um aumento de até 91% no risco de morte por doenças cardiovasculares, especialmente em pessoas com problemas cardíacos.
Outro risco apontado é o desenvolvimento de carências nutricionais — nomeadamente de proteínas, vitaminas e minerais — quando a dieta não é devidamente planeada. Por isso, o jejum intermitente não é recomendado para pessoas com diabetes, doenças cardíacas, distúrbios alimentares, grávidas, crianças ou idosos.
Para quem é mais adequado?
Pessoas saudáveis, sem doenças crónicas diagnosticadas, que pretendem perder peso ou melhorar a saúde metabólica, podem considerar o jejum intermitente como uma estratégia válida — desde que o façam com acompanhamento médico e nutricional.
Recomenda-se começar com períodos de jejum mais curtos, manter uma boa hidratação (água, chás e café sem açúcar) e garantir que as refeições incluam todos os nutrientes essenciais.
Conclusão
O jejum intermitente pode ser uma ferramenta útil para a gestão de peso e melhoria da saúde metabólica, mas não deve ser encarado como uma solução mágica. Cada caso é um caso, e os riscos podem ser significativos quando não há orientação profissional. Antes de iniciar este tipo de regime, é fundamental consultar um médico ou nutricionista para garantir que a abordagem é segura e adequada ao seu perfil clínico e estilo de vida.