Menina de sete anos morta por vaidade num jogo de consola - V+ TVI1224

Foto: Jessica Carr

Menina de sete anos morta por vaidade num jogo de consola

  • Redação V+ TVI
  • 26 mai 2025, 11:31

Jessica acabou por ser atacada por um vizinho, com quem brincava, de apenas nove anos de idade

A 6 de março de 1989, um dia de neve em Kresgeville, Pensilvânia (EUA), acabou em tragédia. Jessica Carr, de apenas sete anos, foi morta com um tiro nas costas por um rapaz de nove anos, Cameron Kocher — um crime que deixou uma comunidade inteira em estado de choque e que ainda hoje é recordado pela brutalidade e pela juventude do agressor.

Jessica estava a brincar na casa da família Ratti, onde se encontravam também os seis filhos do casal e outros amigos do bairro. Um deles era Cameron, vizinho da família. As crianças jogavam o popular jogo da altura, Spy Hunter, quando Jessica, entusiasmada, terá feito um comentário que incomodou Cameron. “Agora consigo ir mais longe do que tu,” terá dito. “Já derrotei o dragão,” segundo testemunhos citados pela Associated Press.

Mais tarde, depois de serem repreendidas pelo pai por deixarem a cozinha desarrumada, Cameron, visivelmente aborrecido, saiu da casa. Os outros foram brincar para a neve. Cameron, no entanto, regressou à sua casa, entrou no quarto dos pais, abriu um armário de armas com uma chave escondida num candeeiro, e retirou uma espingarda de caça com mira telescópica. Apontou da janela do segundo andar e disparou sobre Jessica, que seguia como passageira numa mota de neve. O tiro atingiu-lhe as costas, perfurando-lhe a espinha e o pulmão direito. Morreu pouco depois.

De acordo com testemunhas, Cameron limpou a arma e voltou a colocá-la no armário. Quando foi chamado novamente à casa dos Ratti, regressou como se nada tivesse acontecido. Jogou consola e, perante os que choravam a morte de Jessica, disse: “Se não pensarem nisso, não se vão sentir mal.”

O corte em forma de meia-lua por cima das suas sobrancelhas, provocado pelo recuo da arma, e vestígios de sangue no cano e na mira foram fundamentais para que a polícia percebesse o que tinha acontecido. Inicialmente, Cameron tentou alegar que a arma disparara acidentalmente.

Dois dias depois, foi formalmente acusado de homicídio. O juiz Ronald Vican não hesitou em classificar o crime como “deliberado e intencional”, alertando para a crescente incapacidade da sociedade em lidar com homicidas infantis.

Em 1992, Cameron Kocher declarou-se culpado de homicídio involuntário no âmbito de um acordo judicial e foi condenado a cumprir pena num centro de detenção juvenil até completar 21 anos. A mãe de Jessica, Donna Teetz, mostrou-se revoltada com o desfecho: “Homicídio involuntário implica que foi um acidente. Mas não foi um acidente.”

Este crime continua a ser um dos mais perturbadores da justiça juvenil norte-americana — um lembrete trágico de como até os mais jovens são capazes de cometer atos impensáveis, e de como os sistemas legais e sociais nem sempre estão preparados para lidar com tais realidades.

Um dos casos mais recentes de uma menina assassinada foi o de Maëlys, que chocou a Europa em 2017, onde o alegado homicida também terá defendido ter sido uma morte acidental.

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