Um pai espancou até à morte homem que abusava da filha de 5 anos e a justiça absolveu-o - V+ TVI1224
Foto: Magnific

Um pai espancou até à morte homem que abusava da filha de 5 anos e a justiça absolveu-o

  • Redação V+ TVI
  • 1 set, 12:18

A história está a ganhar grande visibilidade graças às redes sociais

Um caso ocorrido no Texas, em 2012, voltou a circular nas redes sociais e reacendeu a discussão sobre os limites da legítima defesa. Um jovem pai encontrou um homem a abusar sexualmente da filha de cinco anos, interveio para a proteger e acabou por provocar a morte do agressor. Depois de investigarem o caso, as autoridades decidiram não apresentar acusações contra o pai.

O episódio aconteceu a 9 de junho de 2012, num rancho situado numa zona rural perto de Shiner, no condado de Lavaca, no Texas. Segundo as autoridades, a família encontrava-se na propriedade quando uma testemunha viu Jesus Mora Flores, de 47 anos, a levar a menina para uma zona isolada.

A testemunha foi procurar o pai da criança e alertou-o para o que estava a acontecer. Pouco depois, o homem ouviu os gritos da filha e correu na direção deles.

Encontrou o homem sobre a filha

De acordo com os investigadores, o pai encontrou Flores sobre a menina e retirou-o de cima dela. Depois, começou a agredi-lo com as mãos, atingindo-o sobretudo na cabeça e no pescoço.

Os documentos e relatos divulgados pelas autoridades indicavam que Flores e a criança estavam com a roupa interior retirada quando o pai chegou ao local. A menina foi posteriormente transportada para o hospital para ser examinada.

A investigação concluiu que existiam elementos médicos e forenses compatíveis com a ocorrência de uma agressão sexual, corroborando o relato apresentado pelo pai e pela testemunha.

Flores acabou por morrer na sequência dos ferimentos.

O próprio pai ligou para o 911

Depois de perceber a gravidade do estado de Flores, o pai não abandonou o local. Pegou no telefone e ligou para o 911, pedindo ajuda médica.

Na chamada, que chegou a ser divulgada pelas autoridades durante uma conferência de imprensa, o homem mostrou-se desesperado e pediu que enviassem uma ambulância.

«Este homem vai morrer», disse, segundo a transcrição divulgada na altura.

O pai também teve dificuldades em indicar a localização exata do rancho, uma vez que se encontrava numa zona rural.

As autoridades disseram posteriormente que o homem demonstrou remorso pela morte de Flores.

A morte foi investigada como homicídio

Apesar de o pai não ter sido inicialmente acusado, a morte de Jesus Mora Flores foi investigada como um homicídio.

A questão central para os investigadores e para o Ministério Público era perceber se a força utilizada pelo pai estava legalmente justificada perante as circunstâncias.

Depois de analisarem as provas, o caso foi levado a um grande júri do condado de Lavaca, que decidiu não apresentar uma acusação contra o homem.

A procuradora distrital Heather McMinn explicou então que a lei do Texas permitia o recurso à força letal para impedir uma agressão sexual. Segundo a procuradora, as provas reunidas pelo gabinete do xerife e pelos Texas Rangers indicavam que era precisamente isso que estava a acontecer quando o pai chegou ao local.

«Ao abrigo da lei do estado do Texas, a força letal é autorizada e justificada para impedir uma agressão sexual agravada ou uma agressão sexual», afirmou McMinn.

O pai não foi identificado

Uma das razões pelas quais o nome do pai nunca foi divulgado foi a necessidade de proteger a identidade da criança, vítima de abuso sexual.

Na altura, as autoridades também evitaram divulgar informações que pudessem permitir identificar a menina.

O caso teve grande repercussão nos Estados Unidos precisamente porque o homem não chegou a ser acusado depois de causar a morte do agressor. A decisão do grande júri baseou-se nas circunstâncias concretas do episódio e na conclusão de que o pai estava a tentar impedir uma agressão sexual que estava a decorrer.

Não se tratou de uma vingança posterior

Um pormenor importante, sobretudo perante a forma como o caso voltou a ser apresentado nas redes sociais, é a sequência temporal dos acontecimentos.

Segundo a investigação, o pai não encontrou posteriormente o homem e decidiu vingar-se de um crime cometido anteriormente. As autoridades disseram que chegou ao local enquanto a agressão estava a decorrer, depois de ter sido alertado para os gritos da filha.

Foi precisamente essa circunstância que esteve no centro da decisão do Ministério Público e do grande júri.

O caso não estabeleceu, portanto, uma regra geral segundo a qual alguém pode matar outra pessoa por suspeitar de um crime. A decisão incidiu sobre as circunstâncias específicas daquela intervenção para impedir uma agressão sexual em curso.

Um caso que voltou a circular nas redes sociais

Mais de uma década depois, a história voltou a ganhar visibilidade, agora através das redes sociais, que recuperam o episódio como se fosse uma notícia recente.

Não é. O caso aconteceu em 2012 e a decisão de não acusar o pai foi anunciada em junho desse ano. A informação foi então noticiada por órgãos como a ABC News, a CBS News, o Houston Chronicle e o Los Angeles Times.

Os elementos essenciais da história que atualmente circula online são, contudo, verdadeiros: Jesus Mora Flores morreu depois de ser agredido pelo pai de uma menina de cinco anos, as autoridades concluíram que a criança tinha sido sexualmente abusada e um grande júri decidiu não acusar o pai.

O caso continua a ser citado como um exemplo dos limites legais da legítima defesa e da proteção de terceiros, mas a decisão tomada pelas autoridades deve ser entendida à luz da legislação do Texas e das circunstâncias concretas daquele episódio.

Em Portugal, o caso de um homem que matou o pai - alegadamente, para vingar os abusos que havia sofrido -, deu muito que falar na comunicação social. Mesmo no caso de se provar ser verdade, o indivíduo seria sempre acusado de homicídio.

Fora do ecrã

Mais Fora do ecrã