Kelley Lalonde, de 35 anos, mãe de três crianças, morreu no passado dia 26 de maio, cerca de oito meses depois de ter sido encontrada em estado crítico, com sinais de tortura, numa cama imunda, em Michigan, nos Estados Unidos. A mulher estava em estado de morte cerebral desde então.
Kelley foi descoberta pela polícia em 12 de setembro de 2024, na casa de Jonathan Zieroff, de 30 anos, em condições chocantes: deitada na própria urina, com hematomas visíveis, cortes e lesões internas graves, incluindo hemorragias cerebrais, segundo consta na queixa-crime apresentada no tribunal de distrito de Saginaw.
Apesar de ter sobrevivido inicialmente, Kelley nunca recuperou a consciência. O seu estado clínico agravou-se e acabou por falecer exactamente oito meses depois.
O caso está agora a ganhar novos contornos, uma vez que Jonathan Zieroff, que já se encontrava acusado de tortura e violência doméstica com intenção de causar danos corporais graves, poderá vir a enfrentar também uma acusação de homicídio, dependendo dos resultados da autópsia de Kelley.
Zieroff foi detido em setembro de 2024, após a descoberta de Kelley, e desde então permanece sob custódia na cadeia do condado de Saginaw, por não ter conseguido pagar a fiança fixada em 50 mil dólares. No entanto, poucos dias antes da morte de Kelley, o processo inicial contra ele foi retirado do tribunal superior, após o Ministério Público apresentar um nolle prosequi, ou seja, uma desistência formal da acusação, considerando-a "no melhor interesse da justiça".
Quase em simultâneo, a acusação de tortura foi reaberta num tribunal de comarca, no dia 13 de maio. Agora, com a morte de Kelley confirmada, poderá ser acrescentada a acusação de homicídio.
A notícia da sua morte foi partilhada pela irmã, April Reed, numa página de GoFundMe, onde pede ajuda para custear as cerimónias fúnebres.
“A Kelley recebeu as suas asas de anjo e está agora a olhar por todos nós neste momento tão difícil”, escreveu.
Kelley deixa três filhos menores, de 14, 11 e 3 anos, e é recordada na sua nota de óbito como uma mãe dedicada, para quem “a família era o maior orgulho”.
“O seu legado continuará a brilhar através das vidas que tocou e do amor que deu tão generosamente.”
Recorde-se que em 2023 um caso semelhante chocou Portugal, quando uma adolescente de 16 anos matou a irmã, de 19, e a deixou debaixo da cama durante dias, antes de enterrá-la.