Passou um ano desde que Marco Paulo partiu e a memória do cantor continua viva no coração de todos os que o amaram. Entre eles, o seu afilhado, Marquinho, que decidiu quebrar o silêncio e homenagear publicamente o padrinho com uma carta comovente, lida durante a missa de um ano da sua morte, celebrada na Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique.
A cerimónia, organizada por fãs do intérprete de “Maravilhoso Coração”, foi um momento de grande emoção, reunindo admiradores, amigos e familiares para recordar o artista que marcou gerações.
As palavras de Marquinho estiveram em destaque no V+ Fama desta segunda-feira, 27 de outubro de 2025.
“És o meu padrinho desde o primeiro dia”
Na carta, Marquinho — que o próprio Marco Paulo considerava “como um filho” — falou com o coração. Começou por recordar o amor, a amizade e a cumplicidade que partilhou com o cantor:
“O que dizer na despedida? Há muito e não há nada, porque falámos sempre de tudo. Fomos sempre dizendo o que sentíamos. Amor, admiração, amizade, cumplicidade. Partilhámos medos, revivemos memórias, antecipámos lágrimas, demo-nos força.”
O afilhado sublinhou ainda a importância que o padrinho teve na sua vida:
“Dissemos sempre muito, porque ensinaste-me que quando gostamos, amamos, devemos dizer que amamos, sempre. Mas parece-me agora que ficou por dizer amo-te, mais uma vez. Para dizer o que és para mim. Que és tudo para mim. Eu sou tudo por ti. És o meu padrinho desde o primeiro dia.”
“Aprendi contigo que os laços de amor fazem uma família”
Num dos momentos mais tocantes, Marquinho recordou a ternura e o carinho que sempre o ligaram ao artista:
“Tenho medo de te perder, disseste um dia. Eu também tinha medo de te perder. E ficámos em silêncio. Tu limpaste as minhas lágrimas, como fazias quando eu era criança e caía no chão de casa. Aprendi contigo que os laços de amor fazem uma família. Sempre foste amor. Homem que amava, que ensinava amor, que pegava no colo para adormecer a dor. És o meu padrinho, o meu segundo pai.”
“Gostavas de ser gostado. E és.”
Na carta, Marquinho destacou também a generosidade e a forma como Marco Paulo se relacionava com os outros:
“Tu és uma estrela. Nos palcos, nos aplausos, nos sorrisos. No coração de todos os que tocaste com a tua música e a tua voz. Gostavas de ser gostado, de ser admirado. E és. Gostavas de quem te recebia de braços abertos. Gostavas das tuas gargalhadas e de abrir as portas de casa para receber quem te alegrava os dias.”
“Sempre foste amor, porque o teu maravilhoso coração fez da vida a tua companheira”
O afilhado não escondeu o sofrimento que sentiu ao ver o padrinho fragilizado nos últimos tempos, mas lembrou também a força e a fé com que Marco Paulo enfrentou a doença:
“Quando olhava para ti enquanto dormias nas últimas semanas, tive medo muitas vezes. A dor de te perder doía muito. Mas tu dizias que nunca perdemos quem amamos. Sempre foste amor, porque o teu maravilhoso coração fez da vida a tua companheira. A doença era a vizinha má, e tu, com fé e determinação, expulsaste-a várias vezes. Até agora.”
“És o meu exemplo de força e de amor”
No final da carta, Marquinho deixou uma promessa e uma mensagem de amor eterno:
“Eu vou cuidar do meu pai, que fez das tuas lutas as dele. Vou ter saudades tuas. Já tenho. Não vais mais limpar as minhas lágrimas, nem pedir-me para te agarrar a mão. Mas não tenhas medo, padrinho. Nunca nos vamos perder. O nosso amor é grande. És o meu padrinho desde o primeiro dia, és o homem mais importante da minha vida. Estás em mim como sangue que me corre nas veias. És o meu exemplo de força, sobrevivência e amor. Descansa nos braços da tua mãe. Amo-te muito, padrinho.”
Um ano após a sua partida, Marco Paulo continua a ser lembrado como um homem de fé, afeto e generosidade — e, para Marquinho, continuará sempre a ser “o padrinho desde o primeiro dia”.