Crescer com dois pais conhecidos do grande público pode parecer, à primeira vista, um privilégio. Mas nem sempre é assim que se vive por dentro. Margarida Bakker, filha da atriz Alexandra Lencastre e do produtor holandês Piet-Hein Bakker, falou recentemente sobre a pressão que sente por ter escolhido a mesma profissão da mãe - a representação.
A jovem atriz admitiu que carrega uma responsabilidade acrescida por ser filha de uma das mais reconhecidas figuras da ficção nacional, assumindo que sente necessidade de provar constantemente o seu valor.
Filha de Alexandra Lencastre - presença marcante em inúmeras novelas da TVI ao longo de mais de três décadas - e de Piet-Hein Bakker, Margarida cresceu num ambiente artístico, mas isso não a poupou às comparações inevitáveis.
“É muito ingrato”
O tema foi analisado no programa V+ Fama, onde os comentadores refletiram sobre o peso do apelido no mundo artístico.
Marta Aragão Pinto mostrou empatia pela jovem atriz:
«É muito ingrato», afirmou, sublinhando que, nestes casos, é provável que tenha de provar “três vezes mais” o seu talento para garantir que as oportunidades surgem por mérito próprio e não apenas por ser filha de quem é.
A comentadora destacou ainda que, no meio artístico, o escrutínio é muitas vezes mais apertado quando existem ligações familiares a nomes consagrados.
O lado mais otimista
Já Isabel Figueira apresentou uma perspetiva diferente, reconhecendo que a exposição pode também representar uma vantagem:
«Se der provas de que é uma grande atriz, irá ter sempre trabalho.»
A comentadora realçou que filhos de figuras públicas poderão, naturalmente, ter mais facilidade em abrir portas num meio competitivo, algo que não invalida a necessidade de talento e dedicação para se manterem.
Um percurso próprio
Alexandra Lencastre é uma das atrizes mais premiadas e acarinhadas da televisão portuguesa, com uma carreira consolidada em teatro, cinema e sobretudo na ficção da TVI, onde integrou elencos de novelas de grande sucesso. Ao longo dos anos, falou várias vezes publicamente sobre o orgulho nas filhas, mas também sobre a importância de cada uma construir o seu próprio caminho.
Margarida Bakker, por sua vez, tem procurado afirmar-se gradualmente na área da representação, consciente de que o apelido traz visibilidade, mas também expectativas elevadas.
Num meio onde as comparações são inevitáveis, o desafio passa por transformar o peso do nome numa motivação - e não numa sombra.