Maria Custódia Amaral, agente imobiliária, desapareceu em janeiro deste ano na zona da Lourinhã. Dias mais tarde, acabaria por ser encontrada sem vida, confirmando-se que tinha sido vítima de um homicídio. A investigação da Polícia Judiciária conduziu rapidamente a um homem de 35 anos, antigo inquilino da vítima, que acabou por ser identificado como principal suspeito.
Poucos dias após o alerta para o desaparecimento, os inspetores realizaram uma busca à residência do suspeito, onde encontraram indícios compatíveis com a prática do crime. Esta segunda-feira, com a divulgação da acusação do Ministério Público, tornaram-se públicos novos pormenores sobre o caso.
Venda de uma casa serviu para atrair a vítima
Segundo a acusação, o arguido terá contactado Maria Amaral com o pretexto de colocar à venda uma habitação localizada em São Bartolomeu dos Galegos, no concelho da Lourinhã. A vítima deslocou-se até à morada convencida de que iria tratar de uma angariação imobiliária, situação que, na altura do desaparecimento, já tinha sido referida ao namorado.
Quando chegou ao local, o cenário mudou drasticamente. De acordo com o Ministério Público, o suspeito imobilizou Maria Amaral, amarrou-lhe os braços, despiu-a, agrediu-a e envolveu-lhe a cabeça com película aderente, provocando a obstrução das vias respiratórias que acabaria por causar a sua morte.
A acusação, datada de 10 de julho, sustenta que o homicídio foi cuidadosamente preparado e executado de forma organizada. Apesar disso, continua por esclarecer o motivo que terá levado o arguido a cometer o crime.
Corpo permaneceu escondido durante três dias
Após a morte da vítima, o suspeito terá demonstrado total indiferença perante o sucedido. Segundo o Ministério Público, colocou o corpo e a roupa de Maria Amaral em sacos de plástico e escondeu-os na arrecadação da casa, onde permaneceram durante três dias.
Durante esse período, levou consigo o telemóvel e o computador da vítima. Mais tarde, conduziu o automóvel de Maria Amaral até ao Parque D. Carlos I, onde lançou o telemóvel para um lago e deitou o computador num contentor do lixo.
Seguiu depois para Peniche, abandonou a viatura e regressou a casa de táxi. Nos dias seguintes, terá tentado eliminar vestígios do homicídio e enviado diversas mensagens para o telemóvel de Maria Amaral, fingindo preocupação com o seu desaparecimento, numa tentativa de afastar suspeitas.
Corpo foi enterrado na Lagoa de Óbidos
Na noite de 23 de janeiro, o arguido terá decidido desfazer-se do corpo. Para isso, envolveu a vítima em cobertores, colocou-a na bagageira de um automóvel e transportou-a até à Lagoa de Óbidos, onde a enterrou.
Oito dias depois, a Polícia Judiciária anunciou a detenção do suspeito, explicando que a investigação, conduzida de forma rápida e contínua desde a comunicação do desaparecimento, permitiu reunir um conjunto consistente de provas que levaram à sua identificação.
Na busca efetuada à residência do homem foram recolhidos vestígios de sangue considerados relevantes para a investigação. Além disso, as autoridades encontraram na sua posse cartões bancários da vítima, a chave do seu automóvel e a roupa que Maria Amaral vestia no dia em que desapareceu.
O arguido responde por um crime de homicídio qualificado e outro de profanação de cadáver. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de fevereiro, aguardando o julgamento.
Mensagens de despedida marcaram familiares e amigos
A confirmação da morte de Maria Amaral, 12 dias depois do desaparecimento, provocou forte consternação entre familiares e amigos.
Nas redes sociais, uma sobrinha da vítima partilhou uma sentida homenagem, recordando os dias de esperança vividos antes da confirmação da tragédia: "Foram 12 dias agarrada à esperança, 12 dias de dor, de medo e de sofrimento. E mesmo assim, no fundo do meu coração, eu acreditava… Acreditava que te ia voltar a abraçar. Quando soube que tinhas partido o mundo parou. A vida perdeu o sentido."
Também a cantora Nucha lamentou publicamente a morte da amiga: "Minha querida Maria Amaral... Não sei o que escrever... Que a tua alma descanse junto da tua querida mãe. Estou tão, mas tão mal com o que vejo neste mundo."