«A vida perdeu o sentido»: filha de famosa atriz foi encontrada morta envolvida em película aderente - V+ TVI1224
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«A vida perdeu o sentido»: filha de famosa atriz foi encontrada morta envolvida em película aderente

  • Redação V+ TVI
  • 4 ago, 15:30

Homicida escondeu o corpo durante três dias.

Foram conhecidos os contornos da acusação deduzida pelo Ministério Público contra o homem suspeito de matar Maria Custódia Amaral, filha da atriz Delfina Cruz. O documento descreve um crime planeado ao pormenor e revela que a vítima morreu por asfixia, depois de lhe ter sido colocada película aderente em torno da cabeça. O corpo permaneceu escondido durante três dias antes de ser levado para outro local.

Maria Custódia Amaral, agente imobiliária, desapareceu em janeiro deste ano na zona da Lourinhã. Dias mais tarde, acabaria por ser encontrada sem vida, confirmando-se que tinha sido vítima de um homicídio. A investigação da Polícia Judiciária conduziu rapidamente a um homem de 35 anos, antigo inquilino da vítima, que acabou por ser identificado como principal suspeito.

Poucos dias após o alerta para o desaparecimento, os inspetores realizaram uma busca à residência do suspeito, onde encontraram indícios compatíveis com a prática do crime. Esta segunda-feira, com a divulgação da acusação do Ministério Público, tornaram-se públicos novos pormenores sobre o caso.

Venda de uma casa serviu para atrair a vítima

Segundo a acusação, o arguido terá contactado Maria Amaral com o pretexto de colocar à venda uma habitação localizada em São Bartolomeu dos Galegos, no concelho da Lourinhã. A vítima deslocou-se até à morada convencida de que iria tratar de uma angariação imobiliária, situação que, na altura do desaparecimento, já tinha sido referida ao namorado.

Quando chegou ao local, o cenário mudou drasticamente. De acordo com o Ministério Público, o suspeito imobilizou Maria Amaral, amarrou-lhe os braços, despiu-a, agrediu-a e envolveu-lhe a cabeça com película aderente, provocando a obstrução das vias respiratórias que acabaria por causar a sua morte.

A acusação, datada de 10 de julho, sustenta que o homicídio foi cuidadosamente preparado e executado de forma organizada. Apesar disso, continua por esclarecer o motivo que terá levado o arguido a cometer o crime.

Corpo permaneceu escondido durante três dias

Após a morte da vítima, o suspeito terá demonstrado total indiferença perante o sucedido. Segundo o Ministério Público, colocou o corpo e a roupa de Maria Amaral em sacos de plástico e escondeu-os na arrecadação da casa, onde permaneceram durante três dias.

Durante esse período, levou consigo o telemóvel e o computador da vítima. Mais tarde, conduziu o automóvel de Maria Amaral até ao Parque D. Carlos I, onde lançou o telemóvel para um lago e deitou o computador num contentor do lixo.

Seguiu depois para Peniche, abandonou a viatura e regressou a casa de táxi. Nos dias seguintes, terá tentado eliminar vestígios do homicídio e enviado diversas mensagens para o telemóvel de Maria Amaral, fingindo preocupação com o seu desaparecimento, numa tentativa de afastar suspeitas.

Corpo foi enterrado na Lagoa de Óbidos

Na noite de 23 de janeiro, o arguido terá decidido desfazer-se do corpo. Para isso, envolveu a vítima em cobertores, colocou-a na bagageira de um automóvel e transportou-a até à Lagoa de Óbidos, onde a enterrou.

Oito dias depois, a Polícia Judiciária anunciou a detenção do suspeito, explicando que a investigação, conduzida de forma rápida e contínua desde a comunicação do desaparecimento, permitiu reunir um conjunto consistente de provas que levaram à sua identificação.

Na busca efetuada à residência do homem foram recolhidos vestígios de sangue considerados relevantes para a investigação. Além disso, as autoridades encontraram na sua posse cartões bancários da vítima, a chave do seu automóvel e a roupa que Maria Amaral vestia no dia em que desapareceu.

O arguido responde por um crime de homicídio qualificado e outro de profanação de cadáver. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de fevereiro, aguardando o julgamento.

Mensagens de despedida marcaram familiares e amigos

A confirmação da morte de Maria Amaral, 12 dias depois do desaparecimento, provocou forte consternação entre familiares e amigos.

Nas redes sociais, uma sobrinha da vítima partilhou uma sentida homenagem, recordando os dias de esperança vividos antes da confirmação da tragédia: "Foram 12 dias agarrada à esperança, 12 dias de dor, de medo e de sofrimento. E mesmo assim, no fundo do meu coração, eu acreditava… Acreditava que te ia voltar a abraçar. Quando soube que tinhas partido o mundo parou. A vida perdeu o sentido."

Também a cantora Nucha lamentou publicamente a morte da amiga: "Minha querida Maria Amaral... Não sei o que escrever... Que a tua alma descanse junto da tua querida mãe. Estou tão, mas tão mal com o que vejo neste mundo."

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