Marisa Liz é uma das vozes mais marcantes da música portuguesa contemporânea. Conhecida pelo seu estilo pop-rock e pela sua forte presença em palco, destacou-se sobretudo como vocalista da banda Amor Electro, conquistando um lugar de relevo no panorama musical nacional graças à sua energia, autenticidade e interpretação emocional.
Para além da carreira musical, Marisa Liz tem vindo a partilhar aspetos muito pessoais da sua vida, contribuindo para uma maior abertura social em torno da neurodiversidade. Numa entrevista recente no podcast «Educa-te», revelou que foi diagnosticada com PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção) e autismo, partilhando memórias da sua infância e da forma como sempre lidou com a aprendizagem e a organização da informação.
A artista explicou também a necessidade constante de criar estratégias próprias para conseguir acompanhar a informação: “Eu tinha coisas que apontava, coisas que realmente me batiam para eu não me esquecer”, acrescentando que precisava de registos e marcas para conseguir estruturar o seu pensamento e a sua leitura. Este método, que desenvolveu ainda em criança, revela uma forma muito particular de lidar com a memória e a concentração.
Marisa Liz partilhou ainda o impacto emocional que essa experiência teve na sua vida, admitindo: “É provavelmente… não vou ser dramática… é das coisas mais tristes para mim”, numa reflexão sobre as dificuldades que sentia na relação com textos longos e na forma como processava a informação. Apesar disso, encontrou na poesia uma alternativa mais acessível e confortável.
Sobre essa descoberta, explicou: “Acho que foi por causa disso que eu comecei a gostar tanto de poemas. Porque era uma forma do meu cérebro conseguir ler um poema e não ser uma história inteira”. Esta relação com a poesia acabou por se intensificar ao longo do tempo, tornando-se um espaço importante no seu universo criativo: “Os poemas começaram a ter um espaço cada vez maior”, referindo tanto poemas de Florbela Espanca como textos musicados.
A partilha da artista gerou uma forte onda de reações positivas. Muitos ouvintes expressaram identificação e gratidão, destacando o impacto do seu testemunho. Comentários como “como me identifico Marisa!” e “Maravilhoso testemunho” multiplicaram-se, assim como mensagens que sublinham a importância da conversa pública sobre estes temas: “Obrigada pela partilha ❤️ ajuda a desconstruir a ideia que a sociedade tem do autismo e a consciencializar os portugueses” e “Que mais se fale sobre PHDA! :)”.
Este testemunho reforça o papel de Marisa Liz não apenas como artista, mas também como voz ativa na sensibilização para a neurodiversidade. Ao expor a sua experiência de forma tão direta e pessoal, contribui para reduzir estigmas e promover uma maior compreensão sobre a PHDA e o autismo, mostrando que estas realidades fazem parte de muitas vidas de forma silenciosa, mas profundamente significativa.
Reveja aqui uma das grande entrevistas à artista: