A 80 km do Algarve: onda provocada por navio deixa vários turistas feridos - V+ TVI1224
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A 80 km do Algarve: onda provocada por navio deixa vários turistas feridos

  • Redação V+ TVI
  • 4 jul, 15:42

O que começou por ser um dia calmo na praia de Mazagón (Huelva) transformou-se em pânico, gritos e dezenas de feridos.

Por volta das cinco e meia da tarde, a passagem de um navio metaneiro com mais de 60.000 toneladas junto à costa gerou uma forte ondulação que arrastou vários banhistas contra as rochas, deixando alguns incapazes de reagir a tempo.

“Veio uma onda de lado, atirou-me ao chão e eu não via nada. Tinha a prancha comigo e esta bateu-me no pé, que ficou preso”, contou Rocío Mojeda em direto no programa Y ahora Sonsoles. Ainda hospitalizada e com a perna imobilizada, explicou: “Tenho o pé partido. Estou à espera de ser operada. Parti a planta do pé.” Testemunhas confirmaram que a onda surgiu de forma inesperada e que não parecia ser uma maré especialmente violenta. Rocío detalhou o que lhe aconteceu: “Eu já não estava na água. Pela parte esquerda veio uma onda que me derrubou ao chão.” Estava a sair da praia “com a minha prancha aqui comigo, na mão”, quando a força da onda a lançou ao chão. “Praticamente não via nada. E a prancha bateu-me no pé, que ficou preso.”

À beira da água, o cenário era dramático: gritos desesperados como “A pedra, a pedra!”, crianças quase a colidir com as rochas, e adultos a correr para ajudar. “Estão a operar as raparigas. Vão coser-nas todas: pernas, ombros, braços, gémeos, coxas”, relatava uma testemunha. Outra banhista contou que a força da água os lançou “contra uma rocha erodida que largava pedrinhas como ardósia.” De acordo com as primeiras estimativas, pelo menos oito pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. A Capitania Marítima descreveu o sucedido como “uma situação excecional”, mas os moradores garantem que não é a primeira vez que isto acontece. Rocío Mojeda confirmou: “Pelo que sei, há um mês ou dois também aconteceu. Uma onda muito grande provocada por outro navio. É que certos navios não podem entrar por ali.”

O navio que causou a ondulação estava a realizar uma manobra numa zona de maré vazante, situação que intensifica o efeito do deslocamento da água. Especialistas afirmam que este tipo de embarcações deveria respeitar distâncias de segurança rigorosas, pois o seu tamanho e deslocamento criam um fenómeno de sucção que pode ter consequências graves perto da costa.

Sobre o seu estado de saúde, Rocío explicou: “O que vi foi a perna como um cedro. Está imóvel, com duas células à espera de ir a cirurgia. Parti a planta do pé.” A dor era evidente no seu rosto: “Ai, que dor, meu Deus.”

Rocío não se pronunciou claramente sobre se apresentará queixa, mas questionou a responsabilidade pela circulação destes navios tão perto das zonas balneares. “Uns navios não podem entrar por ali,” disse, acrescentando que “até outros tipos de navios já disseram isso.” A discussão sobre responsabilidades chegou ao estúdio do programa, onde vários colaboradores concordaram que devem existir consequências legais e puseram em causa os protocolos marítimos que permitem manobras tão próximas das praias.

Agora, na cama do hospital, Rocío enfrenta uma cirurgia pendente, uma recuperação longa e um verão que lhe vai escapar entre talas e dor. Enquanto os banhistas vão regressando lentamente à praia, ela terá de lidar — literalmente — com as consequências de uma onda que nunca viu chegar.

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