Com a chegada do tempo quente, há quem comece logo a sofrer com as picadas de mosquito. Mas será que estes pequenos insetos têm, de facto, preferências? A resposta é sim. E, segundo a ciência, tudo está ligado ao cheiro natural da nossa pele.
Investigadores da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, descobriram que algumas pessoas libertam na pele níveis mais elevados de certos ácidos, o que torna o seu odor corporal muito mais atrativo para os mosquitos. Em particular, a fêmea do Aedes aegypti — a espécie responsável pela transmissão de doenças como a dengue, o Zika e a febre-amarela — revela-se especialmente sensível a essas substâncias.
O estudo, publicado em 2022 na revista científica Cell, mostrou que os chamados “ímãs para mosquitos” produzem maiores quantidades de ácidos carboxílicos na pele. Estes ácidos resultam da ação das bactérias naturais que habitam a nossa pele, que transformam a gordura (sebo) em compostos com um cheiro semelhante ao de queijo curado ou pés malcheirosos — aromas que os mosquitos adoram.
“Se hoje és um íman para mosquitos, provavelmente continuarás a sê-lo daqui a três anos”, afirmou Leslie Vosshall, uma das autoras do estudo, citada pelo Washington Post. Isto porque, mesmo com alterações na alimentação ou uso de produtos de higiene, o cheiro natural da pele e a colónia de bactérias que o produz tendem a manter-se estáveis.
Para perceberem estas preferências, os cientistas recolheram o odor corporal de vários voluntários usando meias de nylon colocadas nos braços, que depois foram introduzidas numa câmara com dezenas de mosquitos. Os resultados mostraram que alguns cheiros eram até 100 vezes mais atrativos do que outros.
Embora os ácidos carboxílicos desempenhem um papel importante, os investigadores alertam que não é apenas um composto químico que atrai os mosquitos. “É um cocktail de sinais químicos”, explica o biólogo LJ Zwiebel, também citado no artigo. Até o calor corporal e o dióxido de carbono emitido pela respiração influenciam esta atração.
Os especialistas acreditam que esta descoberta poderá abrir caminho para o desenvolvimento de soluções futuras, como cremes probióticos capazes de alterar o cheiro da pele e tornar as pessoas menos apetecíveis para os mosquitos. Até lá, a melhor recomendação continua a ser manter a pele limpa — sobretudo os pés, que têm odores únicos e particularmente atrativos para estes insetos.