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Investigadores alertam para os níveis elevados de mercúrio na pescada, um dos peixes mais consumidos pelos portugueses.
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Estudo revela que o modo de confeção aumenta a concentração de mercúrio, especialmente em pescada e carapau.
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Sardinha, polvo e bacalhau cozinhados nas condições testadas são considerados seguros
Segunda uma nota de imprensa enviada à Lusa em 2023, uma investigação conduzida por cientistas da Universidade de Coimbra (UC) concluiu que o consumo de pescada pode representar riscos para a saúde, devido aos níveis elevados de mercúrio detetados neste peixe.
Segundo uma nota de imprensa enviada à agência Lusa, o estudo, liderado por investigadores do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC), revelou que “os valores de mercúrio mais elevados foram determinados em espécies carnívoras, como a pescada”.
Os cientistas alertam que estas concentrações podem ter efeitos adversos para a saúde humana, especialmente devido à presença de metilmercúrio, um composto com elevada toxicidade neurológica e capacidade de se acumular nos tecidos biológicos.
O estudo avaliou o consumo seguro de espécies como bacalhau, pescada, polvo, carapau e sardinha, cozinhados de forma tradicional. De acordo com a investigadora Elsa Teresa Rodrigues, coordenadora do estudo, uma pescada com mais de um quilo, se cozida e consumida mais de uma vez por semana, e carapau grelhado entre 35 e 40 cm, ingerido mais de cinco vezes por semana, ultrapassam os limites de segurança estabelecidos pela Agência Europeia para a Segurança Alimentar.
Em contrapartida, bacalhau e polvo cozidos, bem como sardinha grelhada, nas condições analisadas, podem ser consumidos sem restrições.
A equipa da FCTUC, com o apoio de investigadores da Universidade de Aveiro, adquiriu os produtos frescos no mercado — com exceção do bacalhau da Noruega — e reproduziu os métodos culinários habituais em laboratório. A quantificação de mercúrio total e metilmercúrio foi feita por espectrometria de absorção atómica com combustão direta da amostra.
Os resultados demonstraram que todos os métodos de confeção aumentaram a concentração de mercúrio, sendo a pescada e o carapau as espécies com valores mais elevados, tanto em cru como após a cozedura. A equipa sublinha que, além de produzir conhecimento científico, o estudo visa promover escolhas alimentares mais seguras e conscientes para a população portuguesa, respondendo a desafios do setor alimentar.
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