Num caso trágico ocorrido na comunidade Asa Branca, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife (Pernambuco), um menino de dois anos faleceu no domingo, 31 de agosto, e o seu corpo permaneceu no sofá da habitação durante um dia inteiro. Os pais, que eram irmãos consanguíneos e mantinham um relacionamento incestuoso, não prestaram socorro à criança. Esta situação só veio a ser descoberta na segunda-feira, 1 de setembro, quando um vizinho alertou a Polícia Militar após sentir que uma criança estaria morta dentro de casa.
No dia do alerta, os polícias dirigiram-se ao local, mas encontraram a casa vedada e sem ninguém a responder. Só mais tarde o pai contactou a polícia, informando sobre o corpo do filho. A Polícia Militar regressou acompanhada por uma equipa do Conselho Tutelar.
Segundo a conselheira Claudia Roberta, “Quando a gente entrou, a população toda estava lá. Muita gente. Foi nítida a negligência que os vizinhos informaram que esses pais faziam com as crianças.” A população mostrou-se revoltada, exigindo punição, o que requeriu reforço policial no local.
Os pais relataram que a criança morreu após uma convulsão, apesar de viverem perto de um centro de saúde e não terem procurado auxílio médico. A conselheira lamentou: “Saíram [de casa], voltaram e o menino no sofá.”.
O casal tem 18 e 24 anos e também é pai de uma menina de nove meses, que foi acolhida pelo Conselho Tutelar, apresentando-se sem sinais de maus-tratos. Vizinhos alertaram que o casal demonstrava comportamentos negligentes e que a criança falecida já havia sido acolhida anteriormente pelo Conselho Tutelar de Olinda. Contudo, um juiz decidiu devolvê-la aos pais. A mãe também já tinha sido acolhida por um Conselho Tutelar antes de completar 18 anos.
A Polícia Civil do Brasil registou o caso como "morte a esclarecer, sem indício de crime". Os pais foram ouvidos, mas não detidos.