Christian Horner despedido da Red Bull: comportamento inadequado e tensão com pai de Max Verstappen na origem da decisão - V+ TVI1224

Christian Horner despedido da Red Bull: comportamento inadequado e tensão com pai de Max Verstappen na origem da decisão

  • Redação V+ TVI
  • 9 jul 2025, 14:48

Chegou ao fim, sem glória, uma das ligações mais marcantes da história da Fórmula 1.

A Red Bull anunciou esta quarta-feira, 9 de julho, a saída imediata de Christian Horner, CEO e team principal da equipa, encerrando uma relação de 20 anos que resultou em oito títulos mundiais de pilotos, o último conquistado no ano passado por Max Verstappen, e seis de construtores.

Os resultados desportivos abaixo do esperado nesta temporada de 2025, aliados a uma crescente instabilidade interna e aos rumores de saída de Verstappen, precipitaram esta decisão. O culminar foi um dos fins de semana mais frustrantes para a equipa em tempos recentes: em Silverstone, Verstappen terminou apenas em 5.º lugar, incapaz de acompanhar o ritmo dos McLaren — cometendo ainda um erro invulgar — enquanto Yuki Tsunoda foi o último entre os carros que completaram o GP da Grã-Bretanha.

Mesmo sendo uma surpresa, a saída de Horner surge como o desfecho de meses de tensão, tanto dentro como fora das pistas, na estrutura de Milton Keynes. A Red Bull, gigante das bebidas energéticas, confirmou em comunicado que Laurent Mekies, até agora team principal da Racing Bulls (equipa satélite), assume o lugar de CEO. Alan Permane ocupará o cargo deixado por Mekies na Racing Bulls:

«Com o seu compromisso, experiência, conhecimentos e pensamento inovador, foi instrumental em estabelecer a Red Bull Racing como uma das mais bem-sucedidas e atraentes equipas da Fórmula 1. Obrigado por tudo, Christian, e vais ser sempre uma parte importante na história da nossa equipa», pode ler-se no comunicado da casa-mãe. A Red Bull Racing não comentou ainda esta decisão impactante.

Christian Horner era o chefe de equipa mais longevo da Fórmula 1, tendo assumido funções em 2005. Cinco anos depois, celebrou o primeiro título de pilotos com Sebastian Vettel, que viria a vencer mais três vezes o Mundial. Nesse mesmo período, a equipa conquistou também quatro títulos de construtores. Com o início da era híbrida, a Red Bull enfrentou um longo domínio da Mercedes, mas Horner manteve-se firme no cargo.

A chegada de Max Verstappen trouxe um novo ciclo de domínio: o neerlandês arrecadou os quatro últimos títulos de pilotos, mas na época passada a Red Bull perdeu o Campeonato de Construtores para a McLaren, após uma acentuada quebra de forma na segunda metade do ano.

Entretanto, os colegas de equipa de Verstappen sucederam-se sem sucesso: Pierre Gasly, Alexander Albon, Sergio Pérez, e já esta época Liam Lawson e Yuki Tsunoda — nenhum deles conseguiu igualar o desempenho do líder da equipa, sendo afastados depois de lutarem com um segundo carro claramente menos competitivo.

Horner sobreviveu ao escândalo conhecido como Hornergate ou Sexgate, em que foi acusado de comportamento inadequado por uma funcionária. Uma investigação independente da Red Bull ilibou-o de conduta imprópria e a queixosa foi afastada. Ainda assim, a relação de Horner com Jos Verstappen, pai de Max, deteriorou-se, gerando tensões públicas e acusações de “afastar as pessoas”.

Em Silverstone, após mais uma exibição dececionante — com a Red Bull atualmente no 4.º lugar do Mundial de Construtores — a Sky Sports alemã noticiou uma nova discussão entre Horner e Jos Verstappen. O piloto neerlandês continua a ser associado a uma possível mudança para a Mercedes, sendo a saída de Horner interpretada como uma tentativa de agradar a Verstappen e de segurar o talento que tem mantido a equipa competitiva.

Entretanto, a equipa assistiu também à saída de elementos-chave como Adrian Newey, génio da aerodinâmica, agora na Aston Martin, e Jonathan Wheatley, antigo diretor-desportivo, que lidera atualmente a Sauber.

Segundo a Sky Sports, Laurent Mekies assume de imediato as funções de Horner. Oliver Mintzlaff, diretor-geral da Red Bull, reforçou o agradecimento:

«Gostaríamos de agradecer a Christian Horner pelo seu trabalho excecional ao longo dos últimos 20 anos. Com o seu compromisso incansável, experiência, conhecimento e pensamento inovador, foi fundamental para consolidar a Red Bull Racing como uma das equipas mais bem-sucedidas e atrativas da Fórmula 1. Obrigado por tudo, Christian, continuarás a ser sempre uma parte importante da história da nossa equipa».

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