«A minha mãe foi a primeira vítima»: Sandra Felgueiras quebra o silêncio sobre passado problemático - V+ TVI1224
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«A minha mãe foi a primeira vítima»: Sandra Felgueiras quebra o silêncio sobre passado problemático

  • Redação V+ TVI
  • 22 abr, 18:57

Um testemunho emotivo, ao qual os fãs não ficaram indiferentes

«A minha mãe foi a primeira grande vítima do machismo no poder». Foi com esta frase marcante que Sandra Felgueiras assinalou uma data especial e prestou homenagem à mãe, Fátima Felgueiras, através de um texto emotivo publicado nas redes sociais. A jornalista recordou os anos difíceis vividos pela antiga figura política, sobretudo durante o polémico processo “Saco Azul”, considerando que a mãe foi alvo de injustiça e julgamento público prolongado.

Esta terça-feira, 21 de abril, foi um dia significativo para a família, já que Fátima Felgueiras celebrou 72 anos de vida. A ocasião foi marcada por uma mensagem sentida da filha, onde destacou não só o lado pessoal da mãe, mas também o seu percurso político e humano: «A minha mãe faz anos! 27 ao contrário, como diz a minha filha», começou por escrever Sandra Felgueiras.

A jornalista prosseguiu descrevendo a mãe como uma referência absoluta na sua vida: «É a melhor pessoa que eu conheço. A minha grande inspiração de vida.»

No mesmo texto, Sandra sublinhou as qualidades humanas de Fátima Felgueiras, considerando que bastam poucos minutos de contacto para perceber a sua essência: «Qualquer pessoa que prive com ela apenas cinco minutos, percebe de que argamassa é feita: sempre disponível para ajudar o próximo, incansável com a família e amigos, uma mulher que sempre viveu muito à frente do seu tempo.»

A homenagem incluiu também referências ao percurso político da aniversariante, recordando a ascensão rápida num contexto maioritariamente masculino: «Aos 22 era deputada municipal. Que ousadia. Com 30 e poucos era vereadora. Antes dos 40, presidente. Como assim num país de homens?»

Foi então que Sandra Felgueiras lançou uma das declarações mais fortes da publicação, ao evocar os anos em que a mãe esteve envolvida no processo “Saco Azul”: «A minha mãe foi a primeira grande vítima do machismo no poder. Foi abusivamente julgada durante mais de 10 anos até ser absolvida. Nunca lhe pediram desculpa.»

A jornalista recordou ainda que, após a absolvição, houve tentativas de reparação que a mãe recusou: «Quiseram devolver-lhe um carro que tinham apreendido mais de uma década antes. Não o quis. Como não quis nenhum dinheiro de uma indemnização pelos danos sofridos, como os advogados lhe chegaram a sugerir, mediante uma queixa ao Tribunal Europeu.»

Segundo Sandra, Fátima Felgueiras optou por privilegiar a vida familiar e o tempo junto dos seus: «A minha mãe preferiu ter tempo para nós. Para a família. Tempo para ser quem ela é: altruísta, generosa, disponível para construir um país decente.»

Na mesma reflexão, acrescentou que a mãe se afastou da política por decisão própria, apesar de continuar a ter peso eleitoral em Felgueiras: «O tempo dela na política passou porque ela assim decidiu. Teria ganho as eleições que quisesse em Felgueiras, mas ela é muito superior à vaidade dos homens.»

Sandra Felgueiras aproveitou ainda a publicação para refletir sobre questões mais amplas relacionadas com desigualdade e violência de género: «Num país machista, o tribunal da opinião pública ainda só percebeu parte da doença grave que ainda nos mina: aquela que normaliza violações e comportamentos íntimos indignos. Há muito mais por aí. Ser vítima e nunca ser tratada como tal é de uma violência atroz que só os mais fortes suportam.»

A terminar, deixou uma mensagem profundamente pessoal e carregada de gratidão: «Obrigada mãe por teres aguentado! Por nós! Devo-te a vida toda e a pessoa que sou! Amo-te muito»”

Com esta homenagem, Sandra Felgueiras não só celebrou o aniversário da mãe, como revisitou um capítulo marcante da história política portuguesa, defendendo o legado de Fátima Felgueiras e reconhecendo a força demonstrada ao longo de anos particularmente difíceis.

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