No programa Segredos do Prazer, transmitido no V+, a psicóloga e sexóloga Susana Dias Ramos respondeu a uma mensagem de um telespectador que dizia: «Eu e a minha esposa estamos casados há 12 anos, eu tenho 36 e ela 40, e estamos a pensar fazer sexo a três (juntar outro homem). Qual a sua opinião?». O tema, que gerou curiosidade e debate, foi abordado com a sensatez e franqueza que já caracterizam a especialista, que aproveitou para deixar conselhos úteis — e alertas — a quem pondera dar este passo numa relação.
Para Susana Dias Ramos, a primeira reflexão fundamental é que uma experiência de sexo a três, sobretudo dentro de uma relação monogâmica, não deve ser encarada com leviandade. A psicóloga fez questão de destacar que este tipo de prática pode, sim, comprometer o equilíbrio emocional e afetivo de um casal, se não for bem preparada ou se surgir como uma tentativa de resolver problemas já existentes. Na sua análise, insistiu que o ménage à trois só deve acontecer quando há segurança emocional, confiança mútua e uma comunicação aberta entre os dois membros do casal.
Durante o programa, Susana deixou claro que o sexo a três não é uma solução para revitalizar uma relação ou apagar rutinas; pelo contrário, pode exacerbar inseguranças, despertar ciúmes e, em casos mais sensíveis, provocar ruturas. Ainda assim, reconhece que, para alguns casais emocionalmente estáveis, pode tratar-se de uma experiência de descoberta e conexão. O essencial é que todas as partes envolvidas estejam absolutamente confortáveis com a decisão.
Outro aspeto sublinhado pela psicóloga foi o da preparação. Em vez de ceder a impulsos ou fantasias mal estruturadas, deve haver uma conversa honesta e profunda sobre o que cada um espera da experiência, quais os limites e, muito importante, o que não está disposto a aceitar. A definição de regras claras, o estabelecimento de palavras de segurança e a escolha ponderada da terceira pessoa envolvida são elementos que ajudam a reduzir o risco de arrependimento ou desconforto.
A proteção também foi mencionada como fator incontornável. Para além do cuidado com a saúde física — como o uso de preservativo e outros métodos de proteção contra infeções sexualmente transmissíveis —, importa também ter em conta o impacto emocional. A especialista alertou que algumas pessoas podem sentir-se deslocadas ou até traídas, mesmo que tudo tenha sido previamente combinado.
Susana Dias Ramos reforçou que, após a experiência, é fundamental conversar novamente, escutar o que cada um sentiu e perceber se algo mudou na dinâmica do casal. Segundo a especialista, este acompanhamento emocional é tão importante quanto a preparação inicial. “Não é só uma questão física”, sublinhou, “mas sim um território emocional onde há muito mais em jogo do que se pensa à partida”.
No final da sua intervenção, a psicóloga deixou um conselho claro: antes de avançar para uma experiência como esta, cada casal deve fazer uma autoavaliação emocional séria. “Se um de vocês tiver dúvidas ou se sentir desconfortável, mais vale não avançar. A intimidade é para ser partilhada com prazer, não com medo ou insegurança.”
A mensagem deixada por Susana Dias Ramos foi, como habitual, esclarecedora e empática: o prazer é uma parte importante da vida, mas só deve ser explorado de forma consciente e responsável, sempre com respeito pelos próprios limites e pelos do outro.