«As redes sociais publicam exclusivamente o melhor de cada um de nós»

21 out 2020 12:25

No «Você na TV», o pedopsiquiatra, Pedro Strecht falou-nos de como a imagem assume um peso cada vez mais excessivo na sociedade.

Pedro Strecht afirmou que, atualmente, a auto-imagem corporal tem um peso brutal nos adolescentes e também nas crianças e cria uma sensação muito falsa de perfeição. Com o poder mais extenso das redes sociais, o pedopsiquiatra afirmou: «As redes sociais, hoje em dia, publicam exclusivamente o melhor de cada um de nós», e acrescentou, em tom de brincadeira: «Qual é a pessoa que põe no Instagram uma foto acabada de acordar, descabelada, com olheiras e a barba crescida...?». Manuel Luís Goucha concordou, e acrescentou: «Também se alguma pessoa colocasse iria ser arrasada, principalmente se fosse uma figura pública». O doutor disse ainda que se pode querer trabalhar as imperfeições, que isso faz parte da condição humana, mas nunca querer ser perfeito.

O médico confessou que a nossa infância é o nosso território de base e o crescimento interior é sempre sediado em raízes ou alicerces mais ou menos fortes, que reportam a essa fase, confessando: «Hoje em dia os adultos, o que acabam por fazer é viver cada vez mais em sociedades altamente narcísicas, em que as pessoas pensam sobretudo em si próprias, ou tornam-se o centro de tudo».

Pedro Strecht escreveu o livro «O corpo é que paga», como objetivo levar as pessoas a pensar sobre a ligação do corpo com a mente, desde criança até à idade adulta. Pode-se encontrar no livro, alguns exemplos clínicos que servem para as pessoas se identificarem com determinadas situações, com o objetivo de ajudar os pais a terem ideias e ferramentas para passarem aos filhos. Acrescentou que o livro também remete ao facto de os adultos não conseguirem fazer o equilíbrio suficiente entre o trabalho e o tempo de lazer. É muito importante as pessoas investirem na família e no tempo de pausa, dando ideias de como o exercício físico, o contacto com a natureza, criação de horários, regras e ritmos podem ser muito mais naturais para a mente e o corpo funcionarem.