Madrinhas de Guerra: as cartas das mulheres que apoiavam os homens na guerra

16 out 2020 16:41

No «Você na TV», o livro «Madrinhas de Guerra» da jornalista Marta Martins Silva dá o mote para que nos recordemos de algo que marcou a Guerra Colonial.

As madrinhas de guerra foram essenciais para manter o equilíbrio dos combatentes da Guerra do Colonial. A chegada do correio era o momento mais aguardado pelos militares em Angola, na Guiné e em Moçambique. Milhares de rapazes portugueses viveram o inferno na terra, e as cartas que recebiam do país natal eram o conforto que precisavam para se sentirem mais perto de casa. Muitas destas cartas eram escritas por mulheres que eles não conheciam, mas que aceitaram o repto do Movimento Nacional Feminino para se corresponderem com os militares e lhes oferecerem um ombro amigo durante a missão em África. E

Estas palavras de alento deram, em muitos casos, lugar a declarações apaixonadas que chegaram ao altar. Uma dessas histórias é a de Manuel e Idalina, que trocaram correspondência durante 2 anos e acabaram por casar, de uma forma muito particular: por procuração. Por não estar autorizada a viajar dado que ainda não era casada, Idalina celebrou o casamento em Portugal com um representante de Manuel, que acabou por ser o irmão do então combatente, com a noiva a ser levada depois ao aeroporto no fim da cerimónia para embarcar para junto do seu amor, que se encontrava em Luanda.

A jornalista Marta Martins Silva, interessada pelos assuntos da guerra, foi assim convidada pela editora «Desassossego» para escrever um livro que retratasse esta realidade das madrinhas de guerra, com um livro intitulado precisamente «Madrinhas de Guerra», que reúne várias histórias, ilustradas com os exemplares da correspondência, e que promete apaixonar quem as lê.