O novo diretor da Polícia Federal (PF) do Brasil, Andrei Rodrigues, assegurou esta terça-feira que não tolerará atos contra a democracia e que agirá "com firmeza" para punir os ataques contra as sedes dos três ramos do Governo no domingo.

Rodrigues, que assumiu esta terça-feira a liderança da principal força policial brasileira com jurisdição nacional, foi o chefe da equipa de segurança de Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha presidencial que levou o líder progressista ao poder pela terceira vez no Brasil.

O responsável assumiu o comando de uma das mais importantes instituições de segurança do gigante sul-americano dois dias após apoiantes radicais do ex-presidente Jair Bolsonaro, que não aceitaram os resultados das eleições presidenciais, terem invadido e vandalizado o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), sedes dos três poderes, em Brasília.

"Aqueles que cometeram crimes ou não agiram quando deveriam ter agido, serão responsabilizados. A Polícia Federal, dentro dos limites das suas responsabilidades, não tolerará ataques à democracia", disse o novo diretor da PF, durante a cerimónia de tomada de posse.

Para Rodrigues, os atos que ocorreram no domingo são o resultado de "palavras de ódio" que se transformaram em "ações tangíveis" que puseram em risco o Estado de Direito democrático.

No seu discurso, o diretor da PF também disse que não serão admitidas "interferências" que tentem orientar as ações da polícia e disse que um dos seus grandes desafios será combater as notícias falsas.

"Este problema particular, a propagação de mentiras falsas no mundo digital, é particularmente desafiante para nós. Não só porque se enquadra no âmbito das atribuições legais da Polícia Federal, mas também porque se provou ser muito prejudicial em acontecimentos recentes", referiu.

Rodrigues entrou para a Polícia Federal em 2002 e é recordado por ter comandado a segurança durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 e o Campeonato Mundial de Futebol em 2014.

O oficial estava encarregado das esquadras de polícia nos estados do Amazonas e Rio Grande do Sul e foi chefe da segurança da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff em 2010.

Apoiantes do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro invadiram e vandalizaram no domingo as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília, obrigando à intervenção policial para repor a ordem e suscitando a condenação da comunidade internacional.

A Polícia Militar conseguiu recuperar o controlo das sedes dos três poderes, numa operação de que resultaram cerca de 1.500 detidos.

A invasão começou depois de militantes da extrema-direita brasileira apoiantes do anterior presidente, derrotado por Lula da Silva nas eleições de outubro passado, terem convocado um protesto para a Esplanada dos Ministérios.

Entretanto, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, por 90 dias, considerando que tanto o governador como o ex-secretário de Segurança e antigo ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres terão atuado com negligência e omissão.

/ RL