O mercado livre da eletricidade parece estar a ganhar algum dinamismo, apresentando mais alternativas competitivas face ao mercado regulado da luz. No entanto, no gás, a tarifa regulada continua a impor-se, apresentando preços significativamente mais acessíveis que os comercializadores livres.

“Os comercializadores do mercado liberalizado têm ofertas com características muito mais dinâmicas e inovadoras que o mercado regulado, e em muitas situações apresentam sim maior competitividade”, indica Ricardo Nunes. O presidente da ACEMEL– Associação de Comercializadoras de Energia no Mercado Liberalizado ressalva, contudo, que um contrato de fornecimento de energia tem alguma complexidade e depende de tantas variáveis que é muito difícil simular de forma automática, pelo que, a melhor forma de chegar ao tarifário mais vantajoso em cada caso será através de uma consulta dos interessados ao mercado, apresentando a especificidade das suas necessidades aos diferentes fornecedores e escolher depois a proposta que tenha mais interesse para as suas necessidades, defende.

Já quanto ao gás, reconhece que “depois das alterações introduzidas pelo Governo, ao permitir o regresso ao mercado regulado a preços fora de mercado, é muito difícil a algum comercializador do mercado liberalizado competir com essa tarifa subsidiada“.

Ofertas da luz alargam e descem preços face a agosto

Tendo como referência o último levantamento feito pelo Eco/Capital Verde em relação aos preços da eletricidade que estão a ser praticados em Portugal, este mês de dezembro apresenta maior diversidade de ofertas, e são na generalidade mais acessíveis do que em agosto.

Para um casal sem filhos (potência 3,45 kVA, consumo 1.900 kWh/ano), aceitando ofertas condicionadas para a tarifa simples (ou seja, não bi-horária), havia, esta segunda-feira, 26 de dezembro, sete opções de fatura da eletricidade mais acessíveis do que a oferecida pelo mercado regulado.

A mais barata seria uma oferta indexada ao mercado diário – aquele cujos valores têm oscilado e agravado mais severamente – da comercializadora Plenitude, que implica ainda uma fidelização. Tendo em conta os preços do mercado diário registados em novembro, assim como o valor médio do mecanismo que foi verificado no mesmo mês, o qual acresce ao preço da energia nesta oferta, o cliente pagará uns estimados 404,25 euros anuais.

As ofertas não condicionadas, não indexadas e sem fidelização, com preços abaixo do mercado regulado, no mesmo momento, começavam nos 441,66 euros (Cliente 22 Monoelétrico com DD+FE, da Goldenergy), passavam pela Tarifa e-luz, da Endesa, nos 442,73 euros e pela Outono-Inverno da Iberdrola, de 444,46 euros, sendo que todas estas garantem o fornecimento de energia totalmente renovável, e só depois se chega aos 448,20 euros relativos à tarifa regulada.

Para uma família de quatro, com dois filhos (potência de 6,9 kVA e consumo de 5000 kWh/ano), se o cliente quiser considerar ofertas condicionadas, há uma opção a mais, ou seja um total de oito. A fasquia mais baixa situava-se, na segunda-feira, nos 993,59 euros anuais, novamente a oferta “Indexado” da Plenitude, com indexação ao preço diário do mercado grossista e com fidelização.

Sem fidelizações, indexação ou outros condicionamentos, as opções são, da mais barata à mais cara, mais uma vez a Cliente 22 Monoelétrico com DD+FE, da Goldenergy, a Outono-Inverno da Iberdrola e a Tarifa e-luz, da Endesa, nos 1090,41 euros, 1091,77 euros e 1096,53 euros anuais, respetivamente. A tarifa regulada está nos 1134,57 euros.

Olhando ao terceiro e último perfil típico, de uma família de um casal com quatro filhos, que consuma cerca de 10.900 kWh e escolha uma potência contratada de 13,8 kVA, existem também oito ofertas no mercado livre que são mais acessíveis do que as do mercado regulado, a começar com a Indexado da Plenitude, correspondente a 2137,62 euros anuais. Já excluindo ofertas condicionadas, indexadas ou com fidelização, a mais barata é a Cliente 22 Monoelétrico com DD+FE, que se fixa nos 2327,47 euros anuais, abaixo dos 2469,63 euros exigidos pela tarifa regulada.

Comercializadoras sem hipótese face ao gás regulado

No mercado de gás natural, um casal sem filhos que se insira no primeiro escalão de consumo, tem como melhor alternativa a tarifa regulada. O valor anual estará nos 158,53 euros.

Para um casal com filhos, que já pertence ao segundo escalão de consumo, o mesmo: o preço mais competitivo são os 299,76 euros anuais propostos pelo CUR. A segunda oferta mais competitiva, da Luz i Gás, é indexada e apresenta um grande salto no valor anual: 438,66 euros. Sem condicionantes, indexações ou fidelizações, a melhor oferta excluindo a do CUR é de 542,14 euros anuais, ou seja, quase o dobro. É a Cliente 22 Monogás com DD+FE, apresentada pela Goldenergy.

Um casal com filhos, e que tenha aquecimento central a gás, depara-se com um cenário em tudo semelhante. O CUR exige 589,28 euros anuais, seguindo-se uma oferta indexada da Luz i Gás, já de 906,18 euros, e a proposta da Goldenergy, Cliente 22 Monogás com DD+FE, de 1043,27 euros, que inaugura o grupo das não condicionadas.

A vantagem da tarifa regulada face às do mercado livre, no caso do gás, está relacionada com a decisão do Governo de ter permitido a transição dos consumidores domésticos e pequenas empresas para o mercado regulado, numa altura em que as cotações internacionais de gás natural pressionavam os preços desta energia e várias empresas anunciaram aumentos substanciais: a EDP Comercial comunicou em agosto que a fatura do gás que entrega subiria, em média, 30 euros mensais a partir de 1 de outubro, aos quais se somariam mais cinco a sete euros de taxas e impostos. Também em outubro, a Galp a avisou que subiria, em média, 8 euros a fatura mensal do gás “para o escalão mais representativo de clientes” e a Goldenergy afirmou que encareceria a fatura mensal em 10 euros.

Na altura, o Governo estimou que um cliente que opte por aderir ao mercado regulado de gás natural pode poupar cerca de 65% por mês, em relação ao que pagaria caso mantivesse um contrato com uma comercializadora que aumente os respetivos preços na ordem dos 150%, tal como foi anunciado na altura pela EDP. Esta diferença é possível pois os comercializadores do mercado regulado assinam contratos de longo prazo, com cerca de 20 anos, pelo que conseguem preços muito mais baixos que os comercializadores do mercado livre, mais sujeitos às oscilações de preços.

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