Barragem destruída na Ucrânia. Milhares de pessoas estão em risco e já há localidades inundadas - TVI

Barragem destruída na Ucrânia. Milhares de pessoas estão em risco e já há localidades inundadas

Kiev acusa a Rússia de "ecocídio". Parte da cidade de Kherson está a ser evacuada e há risco de que a central nuclear de Zaporizhzhia possa ser afetada

A barragem da central hidroelétrica de Nova Kakhovka foi destruída na madrugada desta terça-feira, um ato que a Ucrânia considera ser da responsabilidade da Rússia.

Durante as primeiras horas do dia, vários vídeos que circularam pelas redes sociais mostram um enorme fluxo de água a atravessar a barragem destruída.

Nas redes sociais, a Polícia Nacional da Ucrânia e o governador da região de Kherson mandaram evacuar várias povoações em risco de serem inundadas, incluindo parte da cidade de Kherson.

"O nível da água está a subir e todos que estão na zona de perigo devem desligar todos os aparelhos elétricos, levar documentos essenciais, cuidar de entes queridos e animais de estimação, e seguir as instruções dos socorristas e policias", pode ler-se nas recomendações publicadas pelas autoridades.

De acordo com o governador militar ucraniano da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, há cerca de 16 mil pessoas em risco devido à destruição da barragem de Nova Kakhovka, e garante que já há localidades "parcial ou totalmente inundadas".

"A partir das 07:30 [05:30 em Portugal Continental], as seguintes povoações ficaram parcial ou totalmente inundadas: Tyahynka, Lvov, Odradokamyanka, no distrito de Beryslav, Ivanivka, Mykilske Tokarivka, Poniativka, Bilozerka e o bairro Ostrov de Kherson, no distrito de Kherson. Sabemos que outras povoações vão ser inundadas e estamos preparados para isso. Cerca de 16 mil pessoas na margem direita da região de Kherson encontram-se na zona crítica", escreveu Prokudin no Telegram.

Nas redes sociais, já começaram a surgir as primeiras imagens das localidades inundadas, como é o caso do bairro de Korabel, situado numa ilha e parte integrante da cidade de Kherson.

Em reação, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou os “terroristas russos” de destruir a barragem.

“A destruição da barragem da central hidroeléctrica de Kakhovka apenas confirma ao mundo inteiro que eles têm de ser expulsos de todos os cantos do território ucraniano. Não lhes deve ser deixado um único metro, porque eles usam cada metro para o terror. Só a vitória da Ucrânia devolverá a segurança. E essa vitória há-de chegar. Os terroristas não serão capazes de parar a Ucrânia com água, mísseis ou qualquer outra coisa", escreveu Zelensky no Twitter.

No Telegram, Andriy Yermak, chefe do gabinete presidencial ucraniano, também acusou a Rússia de "ecocídio". 

"Os russos serão responsáveis pela possível privação de água potável para as pessoas na região de Kherson e na Crimeia, e pela possível destruição de algumas povoações e da biosfera. As suas ações constituem também uma ameaça para a central nuclear [de Zaporizhzhia]."

Existe, de facto, muita preocupação em torno da integridade da maior central nuclear da Europa. No entanto, a Energoatom, apesar de reconhecer que o complexo pode ser afetado negativamente, já esclareceu que, para já, a situação “está sob controlo”.

"A água da barragem de Nova Kakhovka é necessária para que a central receba energia para as turbinas e para os sistemas de segurança. O reservatório de arrefecimento da estação está agora cheio: às 8:00 da manhã, o nível da água é de 16,6 metros, o que é suficiente para as necessidades da estação", afirmou a empresa, citada pelo The Guardian.

O lado russo também já reagiu à destruição da barragem e, previsivelmente, culpou a Ucrânia. "A destruição da central hidroelétrica é uma catástrofe criada pelas autoridades ucranianas e por aqueles que as controlam. Um regime ucraniano fantoche", acusou Vladimir Leontiev, autarca russo da cidade de Nova Kakhovka, citado pela RIA Novosti.

Mais tarde, a reação oficial do Kremlin, através do porta-voz Dmitry Peskov, foi semelhante, acusando a Ucrânia de "sabotagem".  "Aqui já podemos afirmar inequivocamente que estamos a falar de uma sabotagem deliberada do lado ucraniano", disse.

Peskov afirmou que o alegado ataque ucraniano serve para privar a península da Crimeia do acesso a água potável e, ainda, desviar as atenções do "insucesso" da contraofensiva.

"É claro que esta sabotagem estabeleceu como um dos objetivos privar a Crimeia de água. O nível da água na barragem está a cair", afirmou Peskov. "Aparentemente, esta sabotagem também está relacionada com o facto de, tendo lançado operações ofensivas em larga escala há dois dias, as forças armadas ucranianas não terem alcançado os seus objetivos", completou o porta-voz do Kremlin.

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