A pressão sobre a Alemanha não para de aumentar, com vários países da NATO a pressionarem o governo da maior economia europeia a autorizar o envio dos carros de combate Leopard 2 para a Ucrânia. Treze países já se disponibilizaram para enviar este armamento, entre os quais Portugal. 

Muitos descrevem-no como “o melhor carro de combate do mundo”, outros desvalorizam o impacto que teria no campo de batalha. Porém, numa coisa os especialistas militares estão de acordo: se a Ucrânia quiser levar a cabo uma ofensiva, estes carros de combate têm de estar presentes.

“Para ter uma capacidade ofensiva, a Ucrânia precisa da capacidade de choque fornecida por estes carros de combate. É um elemento crucial na sua capacidade ofensiva”, afirma o general Vítor Viana.

Estás máquinas de guerra são a ponta da lança de cada operação ofensiva. Cada um destes carros de combate - criado em 1979 - tem um canhão de 120 milímetros e consegue atingir 70 quilómetros por hora em estrada e 50 quilómetros por hora fora dela. Esta capacidade garante-lhes uma impressionante capacidade de surpresa, permitindo às forças que os usam de explorar e atacar o inimigo em áreas que antes eram inacessíveis.

Na teoria militar, os tanques de guerra, como são popularmente conhecidos, são o principal elemento ofensivo terrestre devido à sua versatilidade. Capazes de operar em diversas condições climáticas e de terreno, conseguem levar um pesado poder de fogo bem próximo do inimigo e ultrapassar obstáculos físicos criados para deter os avanços de um exército.

As imagens da primeira guerra mundial ainda estão impressas no imaginário coletivo. Milhares de soldados a correr em linha contra as trincheiras inimigas, sem qualquer proteção, expostos ao fogo de um inimigo que aguarda pacientemente no interior de uma trincheira. Numa operação terrestre, a proteção blindada destes carros de combate oferece proteção importante para os soldados.

Porque a Ucrânia precisa tanto dos Leopard 2

Os especialistas apontam para os elevados níveis de atrição que se verificam nesta guerra. Segundo o Military Balance, a Ucrânia começou o conflito com 850 veículos operacionais, mas terá perdido muitos deles nestes 11 meses de guerra. Se Kiev quiser voltar à ofensiva não o pode fazer sem carros de combate.

Durante as últimas semanas, a Alemanha tem defendido a sua intransigência em aprovar o envio de Leopard 2 para a Ucrânia com o facto de os Estados Unidos da América não enviarem os seus Abrams M1. Mas os especialistas insistem que os Leopard 2 apresentam várias vantagens em relação ao tanque de guerra americano. Os Abrams consomem muito mais combustível, requerem mais manutenção e, além disso, têm as suas bases logísticas muito longe.

“A Ucrânia sofreu uma grande atrição em termos de carros de combate. Os Leopard 2, além de serem o melhor carro de combate do mundo, têm a vantagem de ter uma vasta cadeia logística para os sustentar. A logística é que comanda a guerra”, acrescenta Vítor Viana.

A cadeia logística é mesmo o principal aliado do Leopard 2. Não só existem cerca de 2000 veículos um pouco por toda a Europa, em vários estados de prontidão, como existem diversas linhas de produção abertas no continente, o que permite à NATO reabastecer e produzir novas peças à medida que a Ucrânia vai precisando.

“Quando se fala do fornecimento destas viaturas, temos de olhar para a sua logística, manutenção, capacidade de apoiar no combate. Não é só enviar, há que treinar e abastecer o sistema destas viaturas. Quando se cede este equipamento não é apenas um exercício de ceder material, há que também ceder a cadeia logística, as munições”, explica o comandante João Fonseca Ribeiro.

"Esdrúxulo"

Mas nem todos os peritos militares estão de acordo quanto ao impacto que estes tanques vão ter no campo de batalha. Para o major-general Agostinho Costa, o número de veículos que se tem falado, pouco mais de uma centena, não chega para ter o impacto que as forças armadas ucranianas querem no campo de batalha.

“Temos visto uma campanha mediática que consiste em dizer que se a Ucrânia não receber os Leopard 2 perde a guerra. Parece-me uma observação esdrúxula. As quantidades de carros de combate que se falam são residuais”, considera Agostinho Costa.

Além disso, a Rússia tem aumentado significativamente as suas capacidades industriais militares. Moscovo tem destacado cada vez mais carros de combates avançados e está a tentar repor as perdas com a modernização de mais de 800 carros de combate T-62.

“Em dezembro, a Rússia deslocou para o teatro de operações 200 T-90M, o último modelo, que é um carro ao nível do Leopard 2, que são veículos desenvolvidos nos anos oitenta”, aponta o Agostinho Costa.

Agostinho Costa acredita que ainda que as necessidades mais urgentes da Ucrânia passam pelo envio de munições, que podem já começar a escassear. “A Ucrânia precisa de outras coisas. Neste momento, para fazer a diferença a Ucrânia precisa de munições. Kiev está a consumir 40 mil munições por mês”, insiste.

João Guerreiro Rodrigues