A polícia indiana está a investigar a morte de um oligarca russo num hotel de luxo no estado de Odisha, onde este se encontrava de férias com mais três cidadãos russos. 

O corpo de Pavel Antov, de 65 anos, foi encontrado no sábado numa poça de sangue no exterior do seu alojamento, indica o The Guardian. Antov, segundo as agências internacionais, terá sido uma voz crítica do conflito na Ucrânia e era conhecido como o "rei das salsichas", por ter fundado uma empresa bem sucedida de carnes processadas.

O oligarca morreu dois dias depois de um dos seus companheiros de viagem, Vladimir Bidenov, que foi encontrado inconsciente depois de um aparente ataque cardíaco no mesmo hotel. 

Na terça-feira, a polícia indiana anunciou que estava a rever imagens de videovigilância, a interrogar os funcionários do hotel e a aguardar o relatório da autópsia, mas as autoridades salientaram que, até ao momento, não há motivos para suspeitar de crime. 

"Todos os ângulos possíveis no que diz respeito às mortes de dois cidadãos russos estão a ser verificados", informou o chefe da polícia regional, Rajesh Pandit, citado pela AFP. O mesmo responsável acrescentou ainda, sobre a morte de Bidenov, que o ataque cardíaco ter-se-á devido ao excesso de álcool e, eventualmente, a overdose. 

"Até agora, parece que Antov caiu acidentalmente do terraço do hotel", referiu também Pandit. "Estava provavelmente perturbado pela morte do seu amigo, foi ao terraço do hotel e terá caído para a morte dali", explicou. 

A polícia informou que Antov e os seus amigos estavam naquele estado indiano desde meados do mês de dezembro e que tinham visitado vários locais antes de chegarem ao hotel em Rayagada, no início da semana passada.

Mas a morte do oligarca, que representava desde 2018 num parlamento regional o partido de Vladimir Putin, a Rússia Unida, é a última de uma série de óbitos de magnatas russos que manifestaram publicamente posições contra a invasão da Ucrânia.

Em junho, os meios de comunicação russos divulgaram uma mensagem no Whatsapp atribuída a Antov, que dizia que os bombardeamentos do Kremlin na Ucrânia eram "terrorismo". O magnata recorreu às redes sociais da sua empresa para desmentir ser o autor da mensagem e garantiu que apoiava a "operação especial militar" na Ucrânia. 

Antes de ser deputado, Antov fundara a empresa Vladimirsky Standart, de comida processada e, em 2019, fez mesmo parte do ranking da Forbes dos deputados mais ricos da Federação Russa.

Os outros dois companheiros de viagem de Antov e Bidenov permanecem no hotel onde todos estavam alojados e já foram interrogados pelas autoridades, avança a AFP. Estão apenas a aguardar contacto da embaixada russa para abandonarem a Índia, acrescenta a agência de notícias internacional.

CNN Portugal / BC