Défice: Passos Coelho diz que «não há milagre nenhum» - TVI

Défice: Passos Coelho diz que «não há milagre nenhum»

Líder do PSD lembra que «a receita durante estes primeiros meses só pode aumentar» porque aumentaram os impostos todos

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O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, criticou este sábado a «nova modalidade de divulgar os dados da execução orçamental», afirmando que só vai analisar essa matéria quando for «oficialmente divulgada».

Ao intervir em Viseu na Conferência «Social@PT - Subsidiariedade e Solidariedade: Economia Social e Terceiro Sector», Passos Coelho reagiu à manchete do Expresso, «Défice trava a fundo em Janeiro».

«O Governo acha que não deve esperar tanto tempo pela publicação dos boletins oficiais, portanto confirma as notícias que avança à comunicação social. Assim ficamos todos a discutir as notícias e não aquilo que se passa», criticou.

Por isso, referiu que só vai estudar a matéria quando souber oficialmente «quanto cresceram as receitas do Estado via impostos» e «o que é que aconteceu às despesas».

Para já, Passos Coelho tem uma certeza: «a receita durante estes primeiros meses só pode aumentar porque aumentámos os impostos todos. Não há milagre nenhum».

No entanto, considerou que «ela não vai continuar a subir ao longo de todo o ano», porque «vai haver alguma recessão em Portugal» e, consequentemente, empresas a fechar.

«E se as empresas fecham e há pessoas que perdem os seus postos de trabalho, haverá menos impostos a serem pagos. Portanto, os dados de Janeiro ou de Fevereiro dizem pouco para o resto do ano todo», frisou.

Já no que respeita à despesa, o presidente do PSD disse ser preciso «saber se o Estado está ou não» a controlá-la e lembrou que tal não aconteceu o ano passado, apesar de o seu partido ter chamado «a atenção várias vezes» para esse aspecto.

No seu entender, Portugal só chegou a Dezembro e cumpriu a meta do défice porque o Governo foi «buscar receitas extraordinárias transferindo o fundo de pensões da PT para o Estado».

Passos Coelho fez votos para que, este ano, a despesa caia, garantindo que não esfregará «as mãos de satisfação» se isso não acontecer.

«Se a nossa despesa não cair, isso vai ser mau para nós todos. Se cair e o Governo cumprir, é bom para todos nós. Ninguém no PSD vai ficar satisfeito se as despesas não baixarem», assegurou.

Mas alertou que «as despesas não baixam milagrosamente», apesar de já se saber que baixam relativamente aos salários que foram cortados.

«Depois houve algumas cativações que o ministro das Finanças fez. Enquanto ele não autorizar, não se gasta. Mas algumas cativações chegam a atingir mais de 40 por cento dos orçamentos de funcionamento do ano todo», afirmou, questionando se isso quer dizer que haverá «serviços que durante quase meio ano vão estar fechados sem trabalhar».

Defendeu que a solução é «uma reforma na administração pública» e «também nas empresas públicas», acrescentando não lhe parecer que o Governo já a tenha iniciado.

«Quando mais tempo o Governo demorar a fazer isso mais cara é a factura que vamos todos pagar e o PSD não quer que o país pague uma factura mais cara», reiterou.

«Menos campanha»

Mas Passos Coelho, exortou ainda o Governo a fazer «menos campanha» e avançar antes com as reformas de que o país precisa urgentemente.

Considerou «completamente deslocado estar a acusar a oposição de criar instabilidade, porque quem dá todos os dias o exemplo de que se está a preparar para eleições é o Governo».

«É tempo de dizer ao Governo: menos campanha, que o país merece mais respeito», frisou, considerando que as pessoas que hoje se encontram numa situação difícil «não percebem porque é que o Governo anda tão contente todos os dias a fazer campanha».

O líder do PSD aludiu à «agenda de campanha eleitoral em que o Governo está a cair», como «colocação de primeiras pedras» e «inauguração maciça» de umas escolas e de obras de requalificação de outras.
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