25 DE ABRIL, 50 ANOS: José Rachão assume posição no Cristo-Rei e aponta à Fragata Gago Coutinho - TVI

25 DE ABRIL, 50 ANOS: José Rachão assume posição no Cristo-Rei e aponta à Fragata Gago Coutinho

José Rachão (foto de arquivo pessoal)

A cronologia do dia inicial, inteiro e limpo

Estamos em abril de 1974, José Rachão é furriel na Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, enquanto joga no Montijo. Ora a Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas foi precisamente uma das que se mobilizaram para fazer a revolução: ficou com a responsabilidade de ocupar posições junto ao Cristo-Rei, em Almada, para controlar qualquer coluna adversária que atravessasse a Ponte ou qualquer navio no estuário do Tejo.

Por isso mesmo, no dia 24 de abril, José Rachão é chamado pelo comandante e avisado que sob nenhumas circunstâncias devia sair do quartel. A intenção era que todos estivessem prontos para o dia seguinte. Às 3 horas da manhã os militares foram acordados para saírem em direção a Lisboa, mas José Rachão não está no quartel.

«A verdade é que me pirei para ir treinar e dormi na residencial onde morava. Só me lembro de ser acordado pelo dono da residencial, às cinco da manhã, dizendo-me que tinha de me apresentar imediatamente», contou José Rachão ao Maisfutebol.

«Arranquei à pressa, sem saber o que se passava, e cheguei ao quartel, onde fui recebido com metralhadoras. Lá me deram uma e enviaram-me de imediato para o Cristo-Rei, onde estavam canhões apontados para o rio e para Lisboa! Só os oficiais sabiam ao certo o que se passava, entre nós havia nervosismo e ansiedade.»

Pelas 7.30 horas, a fragata Gago Coutinho, que navegava com destino a Nápoles, recebeu ordens para se colocar em frente ao Terreiro do Paço. Posteriormente, pelas 7.50, pelas 8 e pelas 8.15 horas, recebe ordens superiores para abrir fogo sobre o Terreiro do Paço, ordens essas que o comandante se recusa a respeitar. São horas de grande ansiedade, nas quais José Rachão participa, com mira de um canhão sobre a Fragata, à espera de ordem para disparar.

«Felizmente não se ouviu um tiro.»

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