Bancos pagam duas vezes mais às empresas do que às famílias nos depósitos - TVI

Bancos pagam duas vezes mais às empresas do que às famílias nos depósitos

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  • 7 dez 2022, 13:36
Multibanco

A taxa de juro dos novos depósitos das empresas é duas vezes superior à taxa de juro que os bancos remuneram os depósitos das famílias.

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Os bancos continuam a pagar muito pouco pelas poupanças dos particulares. Em outubro, de acordo com os últimos dados do Banco de Portugal, a taxa de juro média dos novos depósitos até um ano foi de 0,24%.

Segundo o Banco de Portugal, é a taxa mais elevada desde novembro de 2017 e representa a maior subida mensal desde fevereiro de 2012. No entanto, é uma taxa quase duas vezes inferior à taxa de juro que os bancos pagam pelas poupanças das empresas, que cifrou-se nos 0,44% em outubro. E este nem foi o pior mês em 20 anos para as famílias – foi só o segundo.

No último ano, os bancos nacionais têm mostrado uma clara preferência pelas poupanças das empresas em detrimento do aforro das famílias. Na Zona Euro é exatamente o inverso."

Em setembro, o diferencial das taxas de juro dos novos depósitos das empresas e face aos dos particulares atingiu o valor recorde de 5,2 vezes, com os bancos a remunerarem os particulares a 0,05% e as empresas a 0,26%.

Este ano, ao contrário do que historicamente tinha vindo a acontecer, os bancos têm preferido remunerar muito melhor as empresas que as famílias. Nos últimos dez anos (entre 2012 e 2021), por exemplo, a taxa de juro média dos novos depósitos a particulares foi de 0,85%, contra uma taxa de 0,54% a que foram remunerados os depósitos das empresas. Trata-se de uma diferença de 1,6 vezes.

Mas este ano essa tendência foi invertida, com a taxa de juro média dos novos depósitos das empresas a ser quase duas vezes superior à taxa de juro dos depósitos oferecidos aos particulares.

Diferença das taxas de juro dos novos depósitos em Portugal

Fonte: Banco de Portugal

No último ano, os bancos nacionais têm mostrado uma clara preferência pelas poupanças das empresas em detrimento do aforro das famílias. Na Zona Euro é exatamente o inverso.

Apesar de em setembro (últimos dados disponíveis da banca europeia) a taxa de juro dos depósitos às empresas ter sido 1,2 vezes superior à taxa de juro dos depósitos a particulares, a tendência dos últimos 20 anos é exatamente oposta: a maioria dos bancos europeus não só tem pago mais às famílias como tem procurado desmotivar que as empresas apliquem as suas poupanças em depósitos a prazo.

Entre agosto de 2019 e junho deste ano, a taxa de juro dos novos depósitos até um ano para as empresas apresentou constantemente uma taxa de juro negativa na Zona Euro. E antes disso, entre julho de 2008 e agosto de 2019, os bancos europeus remuneraram sempre mais as poupanças das famílias que as poupanças das empresas.

Diferença das taxas de juro dos novos depósitos na Zona Euro

Fonte: Banco de Portugal

 

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