O sol ainda não tinha amanhecido e já se faziam filas à porta da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Milhares de católicos iniciaram esta segunda-feira o primeiro de três dias do velório ao Papa emérito Bento XVI. As portas só abriram ao público às 09:00 locais (08:00 em Lisboa), mas houve quem chegasse às 06:00. 

Católicos prestam homenagem ao Papa Bento XVI (AP Photo)

O corpo de Bento XVI esteve no Mosteiro de Mater Ecclesiae até esta segunda-feira. Agora, vai permanecer em câmara ardente na Basílica de São Pedro durante três dias. Foi colocado na nave central, em frente ao chamado altar da confissão, ao lado do famoso dossel de Bernini.

O funeral, que vai ser conduzido pelo Papa Francisco, está marcado para as 09:30 (08:30 em Lisboa) de quinta-feira e são esperadas 60 mil pessoas. Os restos mortais vão depois ser enterrados nos túmulos sob a Basílica. 

O antigo Papa morreu sábado aos 95 anos. Liderou a Igreja Católica durante oito anos, antes de se tornar o primeiro Papa em 600 anos a renunciar, em 11 de fevereiro de 2013, devido ao debilitado estado de saúde.

"Senhor, amo-te" foram as últimas palavras ditas por Bento XVI antes de morrer, segundo um dos enfermeiros que o acompanharam naquela noite.

Católicos prestam homenagem ao Papa Bento XVI (AP Photo)

Joseph Ratzinger, que foi Papa entre 2005 e 2013, nasceu em 1927 em Marktl am Inn, na diocese alemã de Passau, tornando-se no primeiro alemão a chefiar a Igreja Católica em muitos séculos e um representante da linha mais dogmática da Igreja.

Os abusos sexuais a menores por padres e o "Vatileaks", caso em que se revelaram documentos confidenciais do Papa, foram temas que agitaram o seu pontificado.

Bento XVI ordenou uma inspeção às dioceses envolvidas, classificou os abusos como um "crime hediondo" e pediu desculpa às vítimas.

Durante a viagem a Portugal, em maio de 2010, disse que "o perdão não substitui a justiça".

Cláudia Évora