A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou esta quarta-feira que a maioria absoluta do PS, por andar “enredada nos seus próprios escândalos”, está a ser “incapaz de dar explicações” e respostas aos problemas do país.

“Há uma maioria absoluta enredada nos seus próprios escândalos, com a promiscuidade entre negócios e política, que se vê incapaz de dar explicações” sobre as polémicas que a envolvem, realçou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins, que falava aos jornalistas durante uma manifestação de docentes em Évora, considerou que, “à conta dos casos”, o Governo do PS também “é incapaz de responder ao país, como aos professores”.

Questionada sobre se foram suficientes as respostas do ministro João Gomes Cravinho no parlamento sobre a polémica derrapagem nos custos das obras do Hospital Militar de Belém, a líder do BE disse entender que “as justificações em nenhum dos casos do Governo têm chegado”.

“Os governantes não se lembram de nada, até se lembrarem e isto é uma situação insustentável em democracia”, sublinhou, salientando que, “entretanto, há uma escola a precisar de respostas e um país em suspenso”.

Para Catarina Martins, a maioria absoluta do PS “prometeu estabilidade”, mas o que se assiste é a uma “brutal incapacidade política”.

Acompanhada por dirigentes do Bloco de Esquerda de Évora, a coordenadora bloquista ‘misturou-se’ entre os professores em protesto e assistiu aos discursos dos dirigentes sindicais num pequeno palco instalado em plena Praça do Giraldo, na cidade.

Nas declarações aos jornalistas, a dirigente do Bloco assinalou que o Governo “continua a não reconhecer as dificuldades das condições das escolas, da forma como as escolas estão organizadas, e dos salários e carreiras dos professores”.

“Temos falta de professores em Portugal e as jovens gerações não querem ir para o ensino porque as condições são más”, vincou, alertando que, se não forem criadas as “condições básicas”, o país não vai ter, no futuro, docentes nas escolas.

Lembrando que a contagem do tempo de serviços dos docentes já foi reconhecida nos Açores e na Madeira, Catarina Martins defendeu que o mesmo para “os professores em todo o país”, assim como um “apoio à deslocação”.

“Em todos os outros setores, há apoios à deslocação e só os professores é que têm de pagar para trabalhar”, lamentou, apontando também a necessidade de outras medidas relacionadas com a avaliação, progressão na carreira e colocações.

Os professores estão em greve desde 9 de dezembro para exigir melhores condições de trabalho e salariais, o fim da precariedade, a progressão mais rápida na carreira, e em protesto contra propostas do Governo para a revisão do regime de recrutamento e colocação, que está a ser negociada com os sindicatos do setor.

/ BCE