A Câmara de Lisboa assegurou esta terça-feira rigor no cumprimento da lei relativamente aos contratos celebrados para a preparação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), mantendo o limite de investimento municipal de até 35 milhões de euros.

“O senhor presidente [Carlos Moedas] estabeleceu que não iríamos fazer investimentos além de 35 milhões de euros e, apesar de haver sempre necessidades novas, continuamos dentro desse cenário. O que hoje temos consciência é que grande parte do investimento que vamos fazer a propósito da Jornada Mundial da Juventude é afinal de contas investimento na cidade de Lisboa, que não se esgota no evento em concreto, mas ficará na cidade”, declarou o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP).

Na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, Filipe Anacoreta Correia, no papel de presidente da câmara em exercício devido à ausência de Carlos Moedas (PSD), falou sobre a preparação da JMJ após questões do deputado do PS Miguel Teixeira, inclusive sobre o cumprimento dos princípios da contratação pública.

Considerando que a JMJ, que se realiza este ano em Lisboa entre 1 e 6 de agosto, “é do interesse da cidade”, o autarca do CDS-PP recusou criar “clivagens político-partidárias”, reconhecendo que a escolha da capital portuguesa para acolher o evento “não foi mérito deste executivo”, porque o anunciou aconteceu em 2019 e o atual mandato só começou em outubro de 2021, referindo que no anterior executivo “muito pouco foi feito”.

“Temos avançado muito nas várias áreas, há muitas, elas multiplicam-se daqui até agosto. Com certeza que vamos ter muita pressão, muito stress no bom sentido, mas estamos a trabalhar para que aconteça, e aconteça com sucesso”, declarou Anacoreta Correia, indicando que nos serviços da câmara há uma extraordinária disponibilidade para trabalhar neste projeto de preparação da JMJ.

Das tarefas que são competência da Câmara Lisboa, o vice-presidente disse que a empreitada do Parque Tejo está a correr bem, prevendo-se que fique concluída entre maio e junho, altura em que também estará pronto o palco/altar, enquanto a obra da ponte ciclo pedonal sobre o Rio Trancão deverá estar finalizada entre fevereiro e março.

“Vamos ser rigorosos no cumprimento da lei [da contratação pública]”, assegurou o autarca, referindo que, apesar da flexibilidade para eventos de grande dimensão, tal como aconteceu com a Expo-98 e o Euro 2004, as orientações dadas aos serviços municipais são para que, mesmo que a lei permita algum ajuste direto, “se procure fazer auscultações informais e se deixe registo disso para que o processo seja imune a qualquer crítica”.

Sobre o retorno das obras previstas para a JMJ, Anacoreta Correia disse que “o grande investimento do Parque Tejo ficará na cidade”, assim como a ponte ciclo pedonal e o reforço da capacitação da higiene urbana, da proteção civil e dos bombeiros.

“Tudo isso ficará na cidade. Se dissermos que apenas 10 a 15 milhões de euros do investimento propriamente dito se esgota no evento, não estaremos a exagerar, e isso significa que o retorno que teremos, sabemos bem que será muito superior a isso”, apontou.

Reforçando que o evento “é uma oportunidade extraordinária” para a cidade de Lisboa, mesmo com “aspetos menos agradáveis, porventura mais trânsito nalguns sítios e mais ruído”, o vice-presidente apelou ao envolvimento de todas as forças políticas e das 24 juntas de freguesia, para estabelecer pontes e mobilizar a sociedade civil, nomeadamente na capacidade de assegurar locais onde os participantes da JMJ possam dormir.

Neste âmbito, a câmara lançou a campanha “Lisboa Acolhe” para apelar aos lisboetas que recebam e alojem “de braços abertos” os milhares de jovens que visitarem a capital em agosto.

/ PF