Espanha vai exigir um teste negativo à covid-19 ou um certificado de vacinação a todos os viajantes que cheguem da China. O anúncio foi feito pela ministra da Saúde, Carolina Darias, e segue-se ao levantamento das restrições no país onde começou a pandemia, ainda em 2019.

Em sentido contrário, o governo espanhol recomenda também todos os cidadãos que viajem para a China a terem vacinação completa, pedindo também que mantenham as medidas de precaução durante a estadia. Isto porque, segundo a ministra, existe uma "preocupação partilhada pela evolução dos contágios e pela dificuldade de fazer um acompanhamento da situação".

O país vizinho segue, assim, aquilo que países como Itália ou os Estados Unidos, bem como alguns países asiáticos fizeram. A nova medida surge após um aumento dos casos de infeção na China na sequência do fim da política “covid zero”.

Entretanto a Comissão Europeia enviou uma carta aos 27 ministros da Saúde com recomendações. Na missiva assinada pela comissária da Saúde, Stella Kyriakides, é recomendado que se façam análises às águas residuais dos aviões para rastrear o aparecimento de eventuais variantes. A responsável admitiu ainda rever "nos próximos dias" as recomendações em vigor de viagens de e para a China. Poderá vir aí uma mudança de posição, uma vez que a União Europeia recusou-se, até ao momento, a adotar uma medida semelhante à espanhola.

A nova vaga que está a afetar o país asiático também já motivou decisões locais. Em Madrid, por exemplo, a presidente da comunidade ordenou a reativação do protocolo anticovid nas residências seniores e nos lares de idosos, bem como o reforço do hospital Isabel Zendal, que se dedica a tratar doenças infeciosas. Isabel Díaz Ayuso pediu ainda ao primeiro-ministro que ordenasse o controlo nas chegadas ao aeroporto da capital, algo que parece agora poder avançar.

Para já, e de acordo com o Ministério da Saúde, Portugal vai manter as medidas de controlo atualmente em vigor, ainda que esteja a acompanhar a situação “em articulação com os parceiros europeus e organismos internacionais, nomeadamente no âmbito da atividade do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças”.

“Neste momento, e de acordo com a informação disponível, não estão previstas alterações nos procedimentos ou medidas adicionais, mantendo-se em curso a vigilância genómica do SARS-CoV-2 através do Laboratório Nacional de Referência”, disse o Ministério da Saúde.

As autoridades chinesas puseram termo à maioria das medidas contra a covid-19 sem aviso prévio a 7 de dezembro, no meio de crescente exasperação pública e de enorme impacto na economia após três anos de restrições.

A falta de transparência em relação ao número de contágios, que as autoridades deixaram de publicar diariamente e dizem ser difícil de contabilizar já que os testes deixaram de ser obrigatórios, causa também apreensão.

Perante o aumento das infeções, o governo italiano admitiu a possibilidade tornar obrigatório o teste à covid-19 para os viajantes oriundos da China, medida que já foi implementada na região da Lombardia, onde se situa o aeroporto internacional de Malpensa, em Milão.

França também anunciou que está pronta para "estudar todas as medidas úteis" e que está a "acompanhar com muito cuidado a evolução da situação na China", face a uma explosão de casos de covid-19.

O Japão também anunciou esta quarta-feira que vai restabelecer os testes obrigatórios para viajantes oriundos da China continental a partir desta sexta-feira.

A ilha de Taiwan, que a China afirma como parte do seu território, também anunciou que vai realizar controlos em viajantes que cheguem do território continental chinês.

António Guimarães