A taxa Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação, recuou esta quinta-feira para os 2,726%, a primeira revisão em baixa em nove sessões consecutivas, traduzindo-se numa queda de 0,026 pontos face ao novo máximo desde janeiro de 2009. No entanto, apesar da queda, esta taxa continua em níveis máximos, pelo que as famílias portuguesas cuja revisão do crédito à habitação ocorra em dezembro, terão uma surpresa desagradável.

No que toca à média da Euribor para o mês de dezembro (dados até 29 de dezembro), a taxa a seis meses já vai nos 2,554% sendo que, um ano antes, este indicador estava nos -0,545%. Se olharmos antes para a taxa no prazo de 12 meses, a média mensal já está ultrapassou os 3% (3,005%), sendo a primeira vez que tal acontece desde dezembro de 2008. Em comparação com um ano antes, a média da Euribor a 12 meses estava nos -0,502% a dezembro de 2021.

Por outro lado, a média da Euribor no prazo de três meses, em dezembro, atingiu os 2,060%, um valor benéfico para quem tenha subscrevido Certificados de Aforro, já que este investimento se encontra indexado à Euribor a três meses. No entanto, à semelhança dos portugueses com crédito à habitação indexado a qualquer uma das taxas Euribor, isto significa um agravamento da mensalidade. Em dezembro de 2021, a média da Euribor a três meses encontrava-se nos -0,582%.

Desde janeiro de 2022 que a média das taxas Euribor inverteu a tendência de descida para valores mínimos históricos, para passar a registar a tendência precisamente oposta. A escalada das taxas não se deu a um ritmo constante, pelo esta se foi acentuando com o passar de 2022, à boleia da subida das taxas de juro de referência pelo Banco Central Europeu (BCE). Desde julho que a entidade europeia já subiu as taxas de referência quatro vezes, sendo que estas passaram dos 0% em 2016, para os atuais 2,5%.

As Euribor começaram a subir mais significativamente a partir de 4 de fevereiro, altura em que o BCE admitiu a possibilidade de aumentar as taxas de juro devido à inflação elevada na Zona Euro. Por sua vez, a invasão da Ucrânia a 24 de fevereiro veio reforçar o ritmo de subida das taxas.

As Euribor correspondem à média das taxas às quais os bancos da Zona Euro acordam emprestar dinheiro entre si, sendo que estas são também a taxa de referência para a atualização do juro associado ao crédito à habitação. No caso de um crédito à habitação indexado à Euribor a seis meses, a mais utilizada em Portugal, isso implica que a taxa de juro do crédito é revista a cada seis meses (sendo esta revisão feita a cada 3 meses para um crédito indexado à Euribor a 3 meses, ou 12 meses no caso da Euribor a 12 meses).

Filipe Maria