Habituados a fogo de artifício e a festa na Praça Vermelha, o centro de Moscovo, os russos tiveram uma entrada diferente em 2023. O governo não permitiu quaisquer festas, defendendo-se com aquilo que diz serem medidas de combate à covid-19.

O local ainda esteve aberto, tendo sido visitado por centenas de pessoas, mas a polícia chegou por volta das 18:00 para retirar dali todos os que eventualmente quisessem fazer a festa na rua. Para isso mesmo a cidade já tinha anunciado um reforço policial.

Mas para lá da festa, há quem na Rússia sofra diariamente. Famílias que ficam sem os seus entes queridos ou que veem o custo de vida a galopar desde 24 de fevereiro, quando o presidente, Vladimir Putin, decidiu iniciar aquilo a que chama uma “operação militar especial” na Ucrânia.

Forte presença policial na Praça Vermelha (Alexander Zemlianichenko/AP)

Em Moscovo isso não se esquece, nem mesmo numa noite que devia ser de festa. “Esperamos que este ano seja previsível, que haja paz no mundo, por mais estranho que isto possa soar no contexto atual”, afirmou Alexander Tsvetov, um dos russos que esteve na Praça Vermelha enquanto foi possível, em declarações há agência Reuters.

“Esperamos que as pessoas possam ser felizes em ambos os lados do conflito, e que possa haver paz”, acrescentou o russo.

Aparente otimista, Yelena Popova acredita que em 2023 tudo irá melhorar. A mulher, de 68 anos, diz que o cancelamento dos festejos estará, na verdade, relacionado com o que acontece do outro lado, na Ucrânia.

“Não devemos fingir que não se passa nada, os nossos estão a morrer lá. Celebra-se uma festa, mas devem existir limites”, referiu.

António Guimarães