Terrorismo ou falsa bandeira? O que se sabe sobre o alegado ataque ucraniano em território russo - TVI

Terrorismo ou falsa bandeira? O que se sabe sobre o alegado ataque ucraniano em território russo

Rússia garante que um civil morreu e que outros foram feitos reféns. Ucrânia recusa operação e fala em provocação

A Rússia garante que um grupo com cerca de 50 ucranianos entrou no seu território na manhã desta quinta-feira, ultrapassando a fronteira de Chernihiv para a região de Bryansk.

Foi ali que, segundo as agências de informação russas, foram feitas seis pessoas reféns, além de um civil ter morrido e outro ter ficado ferido. O governador da região disse que o grupo ucraniano terá disparado contra um carro que estava em andamento, acabando por matar o condutor. Alexander Bogomaz acrescentou que uma criança ficou ferida na sequência da mesma situação.

“Um grupo subversivo infiltrou-se no território da vila de Lyubechane a partir da Ucrânia. Os sabotadores dispararam para um carro em movimento, matando um residente e ferindo uma criança de 10 anos”, referiu, esclarecendo que a criança está no hospital a receber tratamento.

O conselheiro do presidente da Ucrânia já negou que Kiev seja responsável pelo alegado ataque conduzido em Bryansk. Mykhailo Podolyak afirmou que “a Federação Russa quer assustar as pessoas para justificar um ataque a outro país”.

“É uma clássica provocação deliberada”, acrescentou.

The story about 🇺🇦sabotage group in RF is a classic deliberate provocation. RF wants to scare its people to justify the attack on another country & the growing poverty after the year of war. The partisan movement in RF is getting stronger & more aggressive. Fear your partisans...

— Михайло Подоляк (@Podolyak_M) March 2, 2023

Entretanto, o Kremlin já apelidou o que terá acontecido esta manhã de "ataque terrorista", com o porta-voz da presidência russa a dizer que a Rússia "vai continuar a chamar a atenção do mundo para ataques terroristas feito por estas pessoas". De Moscovo, e numa informação inicialmente avançada pela agência Reuters, chegou a falar-se na marcação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança com Vladimir Putin. Informação essa desmentida por Dmitry Peskov, que referiu apenas que essa reunião decorrerá sexta-feira, de acordo com o que estava programado.

O presidente da Rússia também apelidou de “ataque terrorista” o que aconteceu em Bryansk, chamando “neonazis” ao ucranianos que terão entrado em território russo. “Cometeram um ato terrorista, penetraram a fronteira e abriram fogo sobre civis”, afirmou Vladimir Putin, através de um discurso transmitido na televisão, e que é citado pela CNN.

“Viram civis e crianças num carro. Abriram fogo sobre eles”, acrescentou.

No mesmo território, as autoridades russas falam na existência de mais casos: uma situação de reféns civis, uma explosão causada por um drone e um bombardeamento com recurso a um morteiro. Tudo isto, segundo a Rússia, operado pelas forças ucranianas.

A Guarda Nacional da Rússia foi imediatamente mobilizada para o local, com as agências russas a referirem que está a decorrer um tiroteio na zona onde foram feitos os reféns. Quem também está a par da situação é o Serviço Federal de Segurança, que avalia de momento o que pode fazer para colocar fim à ameaça.

"Estão a ser tomadas medidas pelas tropas na região de Bryansk para eliminar os nacionalistas ucranianos que ultrapassaram a fronteira", pode ler-se num comunicado daquela agência federal, que é citado pela TASS.

Na rede social Twitter, há quem refira este caso como uma operação de falsa bandeira (situação em que um interveniente numa guerra utiliza uma falsa informação para justificar movimentos). Questionado sobre o que fará a Rússia, Dmitry Peskov admitiu não saber se o caso vai mudar abordagem de Moscovo àquilo que apelida insistentemente de "operação militar especial".

A operação de falsa bandeira foi uma das hipóteses avançada pelo jornalista independente russo Anton Barbashin, que lembra que há dois dias que meios de comunicação da Rússia tinham publicado notícias sobre "a Ucrânia poder tentar capturar Bryansk em vez da Crimeia".

O coronel Mendes Dias explicou na CNN Portugal que será mais provável que o episódio tenha acontecido como a Rússia o descreve, ainda que não coloque de parte o cenário de uma falsa bandeira para justificar um movimento seguinte. "É óbvio que pode acontecer [uma operação de falsa bandeira], mas essas operações são feitas pelo lado russo, como pelo lado ucraniano", lembra, dando o exemplo de que a Ucrânia tenta sempre passar a mensagem da forma que entende ser mais proveitosa, seja para estimular as suas tropas, seja para agir junto do Ocidente.

"Somos nós os principais destinatários desta informação", acrescenta o especialista militar, falando sobre as diversas operações de falsa bandeira.

Nas redes sociais surgiu um vídeo que sugere que membros do grupo Corpo de Voluntários Russos, que mobiliza cidadãos russos que lutam a favor da Ucrânia, terão sido os responsáveis por este ataque. As imagens mostram dois soldados naquilo que já foi confirmado ser um centro médico na vila de Lyubechan, em Bryansk.

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