O Irão executou hoje dois prisioneiros condenados à morte pelo alegado assassínio de um agente da segurança durante os protestos que abalaram o país desde meados de setembro.

Com estas execuções subiu para quatro o número de manifestantes enforcados.

Mohammad Mehdi Karami e Mohammad Hosseini foram executados esta manhã cedo pelo homicídio de um basiji - uma milícia islâmica - em novembro, durante as manifestações que se seguiram à morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini, de 22 anos, e que que se transformaram num dos mais sérios desafios ao regime teocrata do Irão, instalado pela Revolução Islâmica de 1979.

Nestes mais de três meses de protestos, fortemente reprimidos pelas autoridades iranianas, mais de 500 pessoas já foram mortas e pelo menos 15.000 detidas, segundo a organização não-governamental Iran Human Rights.

UE "horrorizada" com duas novas execuções

A União Europeia (UE) está "horrorizada" com a execução de Mohammad Mehdi Karami e Seyyed Mohammad Hosseini, disse uma porta-voz oficial.

“[A UE] denuncia um novo sinal de repressão violenta das manifestações e apela uma vez mais às autoridades iranianas para que ponham imediatamente termo à prática altamente condenável de pronunciar e executar sentenças de morte contra os manifestantes", referiu Nabila Massrali, porta-voz do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Nesse sentido, a UE exige também o “cancelamento imediato” das restantes sentenças de morte já proferidas no âmbito das manifestações”, acrescenta a porta-voz.

/ AM - notícia atualizada às 14:58